Planos de Trump provocam expectativa em México, América Central e Cuba

Hernán Martín.

Washington, 13 nov (EFE).- Os países centro-americanos, assim como México e Cuba, podem ser os mais prejudicados da América Latina pelas políticas delineadas pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo alguns analistas.

O motivo no caso de México e América Central é a forte dependência comercial e migratória que têm em relação à potência do norte, e no de Cuba, pelo previsível congelamento do processo de normalização de relações aberto pelo presidente Barack Obama.

Essa é a previsão dos analistas, que indicam, no entanto, que espera-se que os políticos profissionais que assessorem o polêmico magnata em comércio ou política externa lhe persuadam a não fazer "algumas das piores coisas que prometeu".

Apesar de se saber pouco sobre os "assessores sobre a América Latina" de Trump, "o que se conhece são suas promessas" eleitorais, afirmou à Agência Efe Ted Piccone, especialista em relações com a América Latina do Instituto Brookings, de Washington.

"Se colocá-las em prática para proteger os interesses dos Estados Unidos - reconstruir a economia, criar melhores empregos no país e reduzir a imigração - terão um efeito direto negativo na América Latina", acrescentou Piccone.

Mas o analista apontou que os mais prejudicados serão aqueles países latino-americanos que têm "estreitos vínculos comerciais e migratórios" com os Estados Unidos, especialmente México e os centro-americanos.

Piccone lembrou que as medidas que podem ser aplicadas no governo Trump, que assumirá o cargo em janeiro, incluem "a deportação imediata dos imigrantes ilegais" e reduzir o acesso aos benefícios e serviços sociais dos demais.

Isso teria especial efeito nos países que mais imigrantes ilegais estão mandando aos Estados Unidos, que atualmente são Guatemala, El Salvador, Honduras e México, e os quais mais estão recebendo imigrantes ilegais deportados.

Segundo os números oficiais mais recentes sobre deportações, correspondentes ao ano fiscal de 2015, os EUA devolveram a seu lugar de origem imigrantes ilegais procedentes de 181 países, em sua maioria do México (146.132), seguido por Guatemala (33.249), El Salvador (21.920), Honduras (20.309), República Dominicana (1.946), Equador (1.305) e Colômbia (1.154).

No âmbito comercial, Piccone mencionou os planos do magnata nova-iorquino de penalizar, passando por cima do Acordo de Livre-Comércio da América do Norte (NAFTA), as empresas dos EUA que levem suas fábricas - e portanto os postos de trabalho - ao México, e fazer este país pagar pela construção de um muro na fronteira.

Mas disse não crer que os outros acordos comerciais que os Estados Unidos têm na região se vejam "tão diretamente afetados" como o NAFTA, "dada a forte preponderância do comércio" dos EUA com seu vizinho do sul.

Além do NAFTA, com o México e Canadá, os Estados Unidos têm acordos de câmbio livre com os países centro-americanos e também com a República Dominicana, além de Colômbia, Chile, Panamá e Peru.

Alan Deardorff, professor de Economia Internacional da Universidade de Michigan, considerou, no entanto, que "se o presidente Trump fizer todas as coisas relacionadas com política comercial que mencionou durante sua campanha eleitoral, seria um desastre tanto para os Estados Unidos como para o comércio mundial".

"Estou bastante seguro que, de fato, não terá o poder para fazer pelo menos algumas coisas que prometeu (como retirar-se do NAFTA), e esperemos que, agora que foi eleito, os membros de seu partido o convençam a não fazer "algumas das piores coisas que prometeu", disse à Efe Deardorff.

O analista se mostrou seguro que com Trump certamente não se pode esperar avanços na área comercial, mas disse que, com a assessoria adequada do aparelho do Partido Republicano, é possível "evitar um movimento longe demais na direção negativa".

Fato é que nos Estados Unidos as administrações republicanas foram mais ativas que as democratas em impulsionar acordos de livre-comércio no mundo todo.

O outro país latino-americano que se veria mais prejudicado pela aplicação das promessas eleitorais de Trump seria Cuba, já que para cortejar o voto do exílio cubano prometeu condicionar o processo de normalização de relações empreendido pelo presidente Obama a avanços em direitos humanos e liberdades.

"O processo de normalização de relações será, pelo menos, congelado, e inclusive pode ser revertido, como (Trump) prometeu à comunidade do exílio cubano em Miami", lembrou Ted Piccone.

A normalização de relações com Cuba, cujo passo final é a suspensão do embargo, enfrenta também a rejeição do Congresso, no qual os republicanos mantêm a maioria em ambas câmaras após as eleições de terça-feira passada e onde segue havendo muitas reservas, às quais agora se somará a da Casa Branca.

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