Santos afirma que novo acordo de paz é "de todos" os colombianos

Bogotá, 12 nov (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou neste sábado que o novo acordo de paz fechado com as Farc "é de todos os colombianos", incluídos os opositores ao primeiro texto, que foi rejeitado no referendo do dia 2 de outubro.

"Suas iniciativas (as dos opositores) contribuíram para conseguir este novo acordo que agora é de todos", disse Santos em pronunciamento horas depois que o novo acordo foi assinado em Havana pelos chefes negociadores do governo e das Farc.

O chefe de Estado destacou que recolheram as propostas dos ex-presidentes Álvaro Uribe e Andrés Pastrana, os dois principais opositores ao primeiro acordo de paz e a quem citou diretamente em vários de momentos de seu discurso.

Além disso, afirmou que receberam as iniciativas que propuseram outros opositores como o Centro Democrático, partido de Uribe, dirigentes conservadores, a Igreja e outras organizações religiosas e sociais, empresários, sindicatos, as Altas Cortes e vários magistrados.

No total, foram feitos "detalhamentos, ajustes e mudanças" em 56 dos 57 temas abordados com os opositores e posteriormente colocados às Farc.

A todos eles lhes agradeceu e se mostrou satisfeito que todos os setores colombianos tenham participado do novo texto, porque "a paz é de todos".

O único ponto em que não conseguiram avanços, segundo reconheceu Santos, foi em "que os chefes guerrilheiros não poderiam ser escolhidos" para cargos públicos.

"Eu entendo que este é o sentimento de muitos cidadãos. Na mesa de Havana os negociadores do governo insistiram muito nesse ponto para responder a essa preocupação", afirmou o governante.

Essa era uma das reivindicações de quem votou "não" no referendo sobre o acordo de paz assinado em 26 de setembro em Cartagena.

"Tenho que dizer com franqueza. Aqui não se chegou a avançar", admitiu Santos.

No entanto, Santos destacou a importância de que todos os colombianos reconheçam que em "todos os processos de paz no mundo" se trabalha para que os guerrilheiros "deixem as armas e possam fazer política dentro da legalidade".

Neste sentido, comentou que as Farc têm "uma origem política" e sua intenção para o futuro "é poder fazer política sem armas".

Um dos sucessos que ressaltou do novo acordo de paz é que "as Farc entregassem seus bens e o dinheiro que tenham disponível para reparar as vítimas".

O presidente afirmou que essa era "uma exigência generalizada" tanto dos opositores ao acordo como dos simpatizantes, "pois foi criticado como impreciso".

Outra das críticas de ambos setores foi que se definisse com maior clareza "em que consistia a restrição efetiva da liberdade" no primeiro acordo de paz.

Agora, o tribunal deve fixar em cada caso "os espaços concretos onde devem ficar os sancionados durante a execução da pena", que nunca serão maiores do que as Zonas Veredais Transitórias de Normalização (ZVTN), os pontos onde se reunirão as Farc como passo prévio a sua desmobilização.

Além disso, definirão os horários nos quais os guerrilheiros devem cumprir as sanções, estabelecer o lugar de residência durante a execução da pena e impor "o dever de solicitar autorização para sair das zonas onde cumpram a sanção".

Com todos esses elementos no novo texto, Santos disse "com humildade" que o novo acordo "é melhor" do que o original.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos