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Arcebispo levará Virgem de Guadalupe a 'muro' que divide EUA e México

Em Tijuana (México), pessoas falam com parentes que estão do outro lado da cerca que separa o México dos Estados Unidos - Jorge Duenes/Reuters
Em Tijuana (México), pessoas falam com parentes que estão do outro lado da cerca que separa o México dos Estados Unidos Imagem: Jorge Duenes/Reuters

Em Tijuana (México)

14/11/2016 10h13

O arcebispo de Tijuana, Francisco Moreno, anunciou, nesta segunda-feira (14), que, no próximo sábado (19), levará a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe ao "muro" existente em sua cidade e que a separa de San Diego, na Califórnia (EUA), para pedir que ela "interceda perante Deus e que proteja todos os imigrantes".

No fim de semana, os fiéis se reunirão na paróquia de Santa María del Mar, a poucos metros da fronteira, onde rezarão, e depois sairão em procissão com a imagem rumo à cerca que já divide a Tijuana e San Diego. Moreno abençoará a imagem na grade e fará uma missa. Ao terminar, fará sua "súplica a Deus" para que, através de Nossa Senhora de Guadalupe, proteja todos os imigrantes.

"Nossa ideia é criar uma ponte de paz, de amor e de misericórdia através da Virgem de Guadalupe, para que, por sua intercessão, homens e mulheres imigrantes sejam abençoados na situação difícil em que vivem", disse ele.

 Pessoas são vistas, a partir da cerca que divide México e Estados Unidos, caminhando em praia em San Diego, na Califórnia (EUA) - Jorge Duenes/Reuters - Jorge Duenes/Reuters
Pessoas são vistas, a partir da cerca que divide México e Estados Unidos, caminhando em praia em San Diego, na Califórnia (EUA)
Imagem: Jorge Duenes/Reuters

Sobre a ameaça feita pelo recém-eleito presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de expulsar 3 milhões de imigrantes, Francisco Moreno disse que é preciso respeitar a decisão dos americanos e desejar que a escolha feita seja para o bem deles e do mundo inteiro, mas lembrou que os Estados Unidos "tem um papel preponderante entre as nações".

Para ele, as promessas que Trump fez durante a campanha eleitoral "podem ser precipitadas".

Quando iniciar o governo, [ele] se dará conta de que não é possível fazer tudo como propôs.

O arcebispo alertou sobre a importância de "não se criar um ambiente de alarde", mas disse que a população manifestará sua "insatisfação" e irá reivindicar um tratamento digno e humano, já que eles "fornecem muitíssimo" nos âmbitos da construção e do progresso americano.

"Levamos a sério estas declarações e acreditamos que ainda não são fatos concretos. Isso será um processo. Espero que seja diluído no caminho e que não cheguem a ser efetivar. Tomara que o senhor Trump se dê conta de quão valiosa que é a presença dos migrantes nos Estados Unidos", concluiu Francisco Moreno.

Trump diz que vai deportar 3 milhões de imigrantes sem documento

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