Merkel alcança consenso para transformar Steinmeier em presidente da Alemanha

Berlim, 14 nov (EFE).- A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, alcançou um consenso no âmbito de sua grande coalizão de governo para designar o ministro das Relações Exteriores, o social-democrata Frank-Walter Steinmeier, como presidente do país.

Tanto a União Democrata-Cristã (CDU, sigla em alemão) de Merkel como seu aliado União Social-Cristã da Baviera (CSU, sigla em alemão) respaldarão a candidatura do ministro como sucessor no cargo do independente Joachim Gauck, indicaram fontes dos partidos, após as consultas internas mantidas nesta segunda-feira pelos dois partidos.

As fileiras conservadoras respaldarão assim a proposta surgida do Partido Social-Democrata (SPD, sigla em alemão), cujo líder, o vice-chanceler e ministro da Economia Sigmar Gabriel, qualificou Steinmeier de "o melhor candidato possível" para o cargo.

Steinmeier é um quadro "experiente" em política externa que também goza de grande aceitação entre a população, destacou nesta segunda-feira Gabriel, em declaração aos veículos de imprensa.

Além da grande coalizão, o Partido Verde e o Partido Democrático Liberal (FPD, sigla em alemão) anunciaram sua intenção de apoiar Steinmeier, de modo que provavelmente só deverão apresentar candidatura própria a Esquerda e, ocasionalmente, a direita radical do Alternativa para a Alemanha (AfD, sigla em alemão).

O ministro se encontra em Bruxelas, como o restante dos titulares de Relações Exteriores da União Europeia (UE), por isso não se espera até amanhã em Berlim uma declaração conjunta entre este, Merkel, Gabriel e, previsivelmente, o líder da CSU, Horst Seehofer.

A decisão em favor de Steinmeier segue a reunião mantida no domingo entre os líderes da grande coalizão, que terminou sem declarações, mas com a convocação de consultas internas das executivas de CDU e CSU, separadamente, nesta segunda-feira.

Steinmeier foi ministro das Relações Exteriores com Merkel tanto nesta legislatura (2013-2017) como na primeira da conservadora (2005-2009) e foi candidato à Chancelaria do SPD (2009), mas colheu os piores resultados da história para seu partido.

Gabriel vinha promovendo a candidatura de seu correligionário Steinmeier há semanas, mas os conservadores e, especialmente a CSU bávara, se resistiam a apoiá-lo alegando que eles deviam propor o candidato por serem o grupo majoritário no Bundestag.

A escolha do novo presidente vai acontecer em 12 de fevereiro e, para isso, será convocada uma sessão da Assembleia Federal, uma câmara mista composta pelos deputados do Bundestag mais o mesmo número de representantes dos "Länder", os estados da Alemanha.

Gauck, de 76 anos, anunciou há alguns meses sua intenção de não tentar um segundo mandato por motivos de idade.

Conservadores e social-democratas se lançaram então à busca de um candidato comum, tentando chegar a esta decisão com o menor dano colateral possível, para evitar que este tema tenha repercussões negativas para as eleições gerais, que acontecerão em setembro de 2017.

O cargo de presidente da Alemanha é representativo, mas sua escolha é considerada uma ocasião para os partidos medirem suas forças diante da corrida para a chefia de governo, para a qual nenhuma legenda da grande coalizão definiu quem será seu candidato.

Merkel está no poder desde 2005 e mantém em aberto se concorrerá à reeleição para um quarto mandato devido às tensões entre os conservadores em torno de sua liderança.

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