Primeiro-ministro da RDC renuncia após acordo político com a oposição

Kinshasa, 14 nov (EFE).- O primeiro-ministro da República Democrática do Congo (RDC), Augustin Matata Ponyo, renunciou nesta segunda-feira ao cargo para ser substituído por um opositor, como acordaram o governo e a oposição para pôr fim à crise suscitada no país devido ao atraso eleitoral.

"Apresentei minha renúncia como primeiro-ministro e dos membros de meu governo (...) para cumprir com o espírito do acordo", explicou Matata aos veículos de imprensa depois de se reunir com o presidente congolês, Joseph Kabila.

Em outubro, o governo e uma parte da oposição acordaram adiar as eleições até 2018.

Durante este período, Kabila poderá continuar no cargo, em troca de a oposição eleger o primeiro-ministro.

Ainda não se sabe quem dirigirá o Executivo, mas amanhã o presidente oferecerá um discurso à nação no parlamento, onde espera-se que revele como será esse novo governo que pretende realizar a transição que levará o país para o processo eleitoral em 2018.

Apesar das votações estarem previstas para dezembro deste ano, a Comissão Eleitoral e o governo pediram há meses o atraso do pleito por motivos "técnicos", já que, asseguraram, o censo está defasado.

A oposição rejeitou então o adiamento, ao considerá-lo uma tentativa de Kabila, no poder desde 2001, de se manter no cargo contra da Constituição.

Em setembro, os protestos para pedir a renúncia do presidente explodiram em Kinshasa, onde pelo menos 32 pessoas morreram, segundo as autoridades, embora a oposição tenha elevado o número a mais de 75 falecidos.

Apesar das negociações entre governo e oposição, lideradas pela União Africana, para encontrar uma solução pactada à crise, alguns partidos opositores rejeitam este acordo político.

Por isso, no começo de novembro, a coalizão opositora Rassemblement convocou em Kinshasa uma concentração para protestar pelo atraso eleitoral, mas um forte dispositivo policial impediu sua realização.

Kabila dirigiu o país desde 2001, quando chegou ao poder após o assassinato de seu pai, Laurent-Désiré Kabila, e venceu as duas eleições presidenciais realizadas até o momento (2006 e 2011).

Chamado a deixar seu posto após dois mandatos de cinco anos, limite fixado pela Constituição congolesa, Kabila poderia se transformar em outro líder africano que tenta se perpetuar contra a lei, como seus colegas do Burundi, Pierre Nkurunziza, e Ruanda, Paul Kagame.

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