Alemanha proíbe organização islamita e faz buscas em 200 imóveis

Berlim, 15 nov (EFE).- O governo Alemanha baniu nesta terça-feira a organização islamita "A Religião Verdadeira" e lançou uma grande operação na qual fez buscas em 190 instalações, entre mesquitas, escritórios e casas, em dez estados do país.

O Ministério do Interior alemão indicou em comunicado que este coletivo infringe a ordem constitucional e que entre os seus integrantes há possíveis simpatizantes do Estado Islâmico (EI).

O ministro do Interior alemão, Thomas De Maizière, explicou em um comparecimento à imprensa que esta "agressão à liberdade religiosa" por parte do Estado de Direito era "necessária".

De Maizière argumentou que este coletivo, com "centenas de integrantes", divulga uma "ideologia extremista", "promove a radicalização" de jovens, apoia organizações terroristas, "glorifica a morte e o terrorismo" e enviou 140 pessoas aos territórios controlados pelo EI na Síria e no Iraque.

A ordem de proibição argumenta que "A Religião Verdadeira" apoia teses totalitárias, defende a "jihad armada" e realiza em toda a Alemanha ações de recrutamento de pessoas que, "por motivações islamitas querem viajar à Síria ou ao Iraque".

"A Religião Verdadeira", liderada pelo radical Ibrahim Abou Nagie, é conhecida na Alemanha há alguns anos por distribuir o Corão de forma gratuita em espaços públicos de distintas cidades.

"É importante dizer que esta proibição não é uma medida geral contra a divulgação do islã e do Corão, mas contra o abuso da religião", afirmou o ministro, que comentou que "o islã tem um lugar seguro" na Alemanha.

Com esta operação, acrescentou De Maizière, o governo alemão quer mandar um "sinal claro" ao salafismo, o de que "não há lugar" para o extremismo na Alemanha.

O objetivo da batida, que vinha sendo preparada há um ano e na qual participaram centenas de policiais, é a apreensão dos bens e dos documentos do grupo, e não tanto praticar detenções.

Segundo o serviço secreto alemão, o país conta com 9.200 radicais islâmicos na atualidade, dos quais cerca de 1.200 são considerados como potencialmente violentos e capazes de cometer um atentado.

Além disso, a inteligência alemã estima que aproximadamente 870 pessoas (das quais 20% são mulheres) viajaram do país a Síria e Iraque para se juntarem ao EI.

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