China executa camponês apesar de intensa discordância da população

Pequim, 15 nov (EFE).- As autoridades chinesas executaram nesta terça-feira Jia Jinglong, um camponês do norte da China cujo caso mobilizou a população do país contra a pena de morte e o funcionamento do sistema judiciário.

A agência oficial "Xinhua" noticia a execução de Jia em um comunicado incomum, pois a China, o país com mais execuções do mundo segundo as ONGs em defesa dos direitos humanos, não costuma divulgar informações sobre estes casos.

Um tribunal da cidade de Shijiazhuang executou nesta terça-feira a ordem ditada pelo Supremo e Jia, de 29 anos, morreu pouco após se reunir pela última vez com a família.

O camponês foi condenado por homicídio doloso após matar o prefeito com uma pistola de pregos modificada. O governante havia ordenado a demolição da casa de Jia de maneira forçosa.

Jia renovava cada detalhe da casa, onde pretendia começar uma vida com a futura esposa, com a qual ia se casar 18 dias depois da data da demolição.

Um grupo de operários começou a demolir a casa com Jia dentro. O camponês ofereceu resistência e acabou sendo agredido sem poder evitar que o imóvel fosse abaixo com tudo o que tinha dentro.

Após o ocorrido, o camponês entrou com um processo para cobrar uma compensação, mas o caso foi encerrado dois anos depois e sem ter conseguido nada que considerasse justo. Para piorar a situação, a esposa o deixou após o incidente. Foi então que Jia decidiu modificar uma pistola de pregos para matar o prefeito.

A situação vivida por Jia se repete em muitos cantos do país: as demolições forçosas são uma das causas principais dos protestos na China devido, segundo grupos em defesa dos direitos humanos, a decisões arbitrárias e à corrupção.

Ao contrário de outros casos similares, o de Jia mobilizou a sociedade e diversos advogados pediram que a condenação fosse revisada com a consideração de alguns atenuantes, como a vontade do camponês em admitir o crime e as dúvidas legais sobre a decisão tomada pelo prefeito.

Inclusive os veículos de imprensa oficiais, como o jornal "Global Times" - de viés nacionalista - repercutiram o caso nas manchetes para tentar salvar Jia.

Na segunda-feira, o jornal publicou que a Ordem dos Advogados havia enviado uma carta ao Tribunal Supremo para pedir que a execução não fosse aplicada.

"O veredicto do Tribunal Supremo sobre o caso de Jia Jinglong viola os padrões para a pena capital no país e vai contra a política de utilizar a pena de morte com cautela. Pedimos a rescisão da sentença a morte e a revisão do caso", solicitava a carta assinada por 12 advogados.

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