EUA se preparam para possível onda de migrantes antes da posse de Trump

Tucson (EUA), 15 nov (EFE).- O Departamento de Segurança Nacional dos Estados Unidos (DHS, na sigla em inglês) está tomando medidas perante o notável aumento de imigrantes ilegais que cruzaram a fronteira sul no mês passado e a possível chegada de uma nova onda antes que Donald Trump assuma a presidência em janeiro do ano que vem.

"Definitivamente estamos vendo mais imigrantes ilegais tentando atravessar a fronteira. Nas últimas semanas vimos mais imigrantes e mais tráfico de drogas", disse à Agência Efe Art del Cueto, porta-voz do Sindicato Nacional de Agentes da Patrulha Fronteiriça no Setor Tucson, no Arizona.

O DHS anunciou neste fim de semana o envio de 150 agentes adicionais da Patrulha Fronteiriça ao setor do Vale do Rio Grande, no sul do Texas, onde a agência federal registrou um aumento no número de crianças e unidades familiares que cruzam ilegalmente a fronteira, em sua maioria provenientes de países centro-americanos.

A previsão é que os agentes, transferidos de Arizona, Califórnia e do setor Del Rio, no Texas, permaneçam nos centros de processamento de McAllen e Weslaco pelo menos nos próximos dois meses.

Este período coincide com o prazo que resta antes que Trump assuma a presidência, no próximo dia 20 de janeiro, meses nos quais Isabel García, diretora da Coalizão dos Direitos Humanos no Arizona, acredita que haverá um aumento de imigrantes ilegais que tentarão chegar ao país antes que o republicano chegue ao cargo.

"Sem dúvida vamos ver mais gente tentando atravessar a fronteira antes de janeiro, mas, mesmo com Trump sendo presidente, os migrantes vão continuar cruzando", opinou à Efe.

No entanto, este previsível aumento já deu sinais e, no último mês de outubro, nas últimas semanas da campanha eleitoral, se registrou o maior número de cruzamento de imigrantes ilegais nesse mesmo mês nos últimos seis anos.

De acordo com números do DHS, em outubro foram detidas 46.195 pessoas ao longo da fronteira com o México, enquanto em setembro o número foi de 39.501 e em outubro de 2015 foi de 32.724.

As detenções de menores sem a companhia de um adulto subiram para 6.754, em comparação com as 4.943 do mesmo período de 2015, enquanto as de unidades familiares dispararam.

As 13.124 famílias detidas em outubro superam a soma do mesmo mês nos cinco anos precedentes, que totalizaram 12.286.

Apesar deste aumento, o chefe da Patrulha Fronteiriça do Setor do Vale do Rio Grande, Manuel Padilla, garantiu à Efe que "não existe uma crise na fronteira", como a que se viveu em 2014, quando uma onda de menores imigrantes ilegais cruzou a fronteira e surpreendeu o governo federal.

Naquela ocasião, o presidente Barack Obama qualificou a situação de "crise humanitária" e destinou fundos milionários para evitar a migração de Guatemala, El Salvador e Honduras e o reforço das agências federais na região.

"A ajuda extra que estamos recebendo nos servirá para cumprir a missão primordial que temos, que é a segurança da fronteira", afirmou Padilla.

O chefe da patrulha fronteiriça qualificou a medida como "um passo pró-ativo" para enfrentar o previsível aumento nas detenções de menores e famílias indocumentadas.

Durante sua campanha, Trump prometeu a construção de um muro na fronteira com o México, medida que reiterou em sua primeira entrevista após sua eleição.

Na opinião de García, o anúncio do envio de 150 agentes adicionais à fronteira com o Texas é só um "preâmbulo" do que pode acontecer depois que Trump chegar ao Salão Oval.

"Estou convencida que veremos uma militarização da fronteira sem precedentes, por isso devemos preparar-nos para uma nova possível crise humanitária em nossa fronteira", advertiu a ativista.

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