Hollande acredita que Trump não se comportará como prometeu durante campanha

Paris, 15 nov (EFE).- O presidente da França, François Hollande, opinou nesta terça-feira que o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, não se comportará na Casa Branca como prometeu na campanha eleitoral em questões como a luta contra a mudança climática e os acordos com o Irã.

Em entrevista concedida aos veículos de comunicação públicos "RFI", "France 24" e "TV5 Monde" em Marrakech, onde participou da conferência sobre o clima, Hollande afirmou que é preciso distinguir entre o que se diz na campanha e o que se faz no poder.

O presidente francês disse que falou durante 10 minutos com Trump após sua vitória eleitoral e que percebeu em seu futuro homólogo "uma vontade de suavizar" as relações.

Hollande declarou que não teve um debate profundo com Trump, mas assegurou que "uma coisa é o que se diz na campanha e outra o princípio de realidade".

O presidente francês reconheceu que a eleição do republicano "gera dúvidas" - sobre o clima, o acordo com o Irã, a relação com a Rússia, o conflito da Síria e a luta contra o terrorismo - que deve responder quando chegar à Casa Branca, mas destacou que se mantêm os "valores comuns" que marcaram as relações entre ambos países.

Assim, sobre o acordo nuclear com o Irã de julho de 2015, que Trump desprezou durante a campanha, Hollande se mostrou convencido de que o republicano o respeitará.

O presidente francês lembrou que a França foi o país mais exigente com o Irã e se mostrou convencido de que o acordo alcançado garante, se for cumprido, que Teerã não terá uma arma nuclear.

Algo similar acontece com o acordo de Paris de dezembro de 2015 contra a mudança climática, que Trump disse que não respeitaria se chegasse à Casa Branca.

Hollande lembrou que este já foi ratificado e que, portanto, "é irreversível", mas também observou que "é um acordo que vai em favor dos interesses dos Estados Unidos".

"O movimento está lançado e ele não o parará", garantiu.

O presidente francês comentou também que não teme que uma aproximação entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, tenha implicações na defesa da Europa, mas criticou que os europeus "não fazem o suficiente em matéria de defesa", após lembrar que França e Reino Unido são os dois países que mais investem nesse capítulo.

"A Europa deve garantir o essencial de sua segurança", ressaltou o presidente francês, que considerou que esse esforço devia ser incrementado independentemente de quem tivesse vencido as eleições nos Estados Unidos.

Por fim, Hollande indicou que a França redobrou seus esforços em segurança após os atentados jihadistas que sofreu e confirmou que deseja que o estado de emergência decretado após os atentados de Paris do 13 de novembro de 2015 se prolongue até depois das eleições presidenciais francesas do próximo ano.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos