Obama vai a Lima para reiterar que EUA não devem retroceder em Ásia-Pacífico

Miriam Burgués.

Washington, 15 nov (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, comparecerá à reunião de líderes do bloco de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês) em Lima, a última de seu mandato, com a mensagem que seu país não deve retroceder em sua liderança na região da Ásia-Pacífico, apesar de admitir que o Acordo de Associação Transpacífico (TPP, sigla em inglês) está praticamente morto.

O TPP, assinado pelos EUA e outros 11 países, era um dos pilares do chamado "giro" de Obama rumo à Ásia, uma estratégia com a qual quis aprofundar as relações econômicas e de segurança com seus aliados na região, para resistir, em parte, à crescente influência da China.

O TPP está pendente de aprovação no Congresso dos EUA, onde a maioria republicana já era reticente a submetê-lo à votação.

Mas a vitória de Donald Trump, agora presidente eleito do país e que tachou esse acordo de um "desastre", enterrou as poucas esperanças que ainda existiam de levar o TPP adiante antes do término do manndato de Obama.

"Somos totalmente conscientes da situação atual, mas acreditamos no que creemos sobre o valor do comércio e a importância da região da Ásia-Pacífico para os Estados Unidos", explicou na semana passada o assessor adjunto de segurança nacional de Obama, Ben Rhodes, em uma conferência telefônica com jornalistas.

Nessa mesma linha, o assessor adjunto de Obama para assuntos econômicos internacionais, Wally Adeyemo, afirmou que o presidente acredita que "é importante que permaneçamos comprometidos com a região".

Por isso, ele falará com os líderes da Apec e das nações signatárias do TPP "sobre a importância desse compromisso" e de "como podemos trabalhar juntos durante os dias restantes desta administração (a de Obama) para consolidar a aliança com esses países", acrescentou Adeyemo.

Não será fácil para Obama explicar em Lima o fracasso do TPP em seu país, nem dar garantias de que os EUA vão continuar priorizando as relações com a região, levando em conta que na cúpula da Apec também estará o presidente da China, Xi Jinping, promovendo sua proposta comercial alternativa.

Trata-se do Acordo de Associação Econômica Integral Regional (RCEP, sigla em inglês), que inclui China, Japão e outras 14 nações asiáticas, e deixa de fora os EUA.

Se os Estados Unidos não definirem as regras do jogo na Ásia-Pacífico, "outros tomarão seu lugar, não só no comércio, mas em segurança cibernética, não-proliferação e no papel da sociedade civil", advertiu a principal assessora de segurança de Obama, Susan Rice, em artigo publicado no fim de semana na revista "The National Interest".

Rice também mencionou explicitamente o RCEP da China, que, segundo ela, defende "padrões mais baixos e menos proteções" que o TPP.

A cúpula da Apec em Lima "será a última do presidente Obama, mas não pode, nem será, o fim do compromisso americano com a região. Neste século XXI, poucas alianças serão tão relevantes para nossa segurança e prosperidade como a relação dos Estados Unidos com a Ásia-Pacífico", frisou Rice.

Procedente da Alemanha, Obama aterrissará no Peru na sexta-feira pela noite para participar durante o fim de semana da cúpula de líderes da Apec, cujas 21 economias reúnem 54% do PIB global, 50,3% das exportações e um mercado de 2,850 bilhões de habitantes.

Além de participar dessa cúpula, Obama manterá reuniões bilaterais com o presidente peruano, Pedro Pablo Kuczynski, o chinês Xi Jinping e o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull, segundo a agenda divulgada pela Casa Branca.

Por outro lado, Obama liderará um fórum aberto a perguntas com jovens líderes latino-americanos.

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