Restaurante alvo do ataque jihadista em Daca fechará as portas para sempre

Daca, 15 nov (EFE).- O restaurante Holey Artisan Bakery-O'Kitchen de Daca, que no dia 1º de julho sofreu um ataque jihadista no qual morreram 22 pessoas, entre elas 17 reféns estrangeiros, fechará as portas para sempre.

"Não cogitamos reabrir o restaurante, mas estamos pensando em transformá-lo em uma residência e viver nele", disse Sadat Mehedi, um dos proprietários do local situado na área diplomática da capital de Bangladesh.

Este restaurante com padaria, mais conhecido como Holey e especializado em cozinha mediterrânea, tinha permanecido interditado pela polícia desde julho, enquanto continuavam as investigações no local do massacre. Segundo Mehedi, a polícia permitiu no domingo o retorno ao estabelecimento após ser emitida uma ordem judicial.

Na sexta-feira do dia 1º de julho, após o mês sagrado islâmico do Ramadã, um comando de cinco jihadistas leais ao Estados Islâmico (EI) invadiram o restaurante e mataram nove italianos, sete japoneses e uma indiana, que foram torturados após confirmarem que não sabiam recitar o Corão.

O ataque, considerado um dos mais sangrentos da história de Bangladesh, se prolongou durante 12 horas e terminou com a intervenção da polícia e a morte de quatro dos terroristas, todos com idades entre 20 e 30 anos, e a captura com vida de um quinto.

Os dois chefs argentinos do restaurante sobreviveram ao ataque, um porque se encontrava no lado de fora e o outro porque conseguiu escapar saltando do terraço após assistir a "um filme de terror", como disse à Efe.

No entanto, o proprietário disse que não se considera "supersticioso", motivo pelo qual não sente medo de morar em um lugar onde ocorreu um massacre.

"Muitos dos que costumavam vir eram nossos amigos. Isto é o mínimo que eu posso fazer para mostrar respeito a eles", comentou Mehedi, que pensa em criar um memorial em homenagem às vítimas futuramente.

No entanto, Holey voltará a pendurar o cartaz de "aberto" em uma nova localização no bairro. De acordo com o proprietário, ainda serão inauguradas duas filiais em outras partes de Daca.

"Não vamos fechar nosso negócio", garantiu Mehedi.

Bangladesh se encontra em um momento difícil ao atravessar uma onda de violência jihadista que em três anos causou 70 mortes em atentados contra minorias religiosas, pensadores laicos, ativistas e estrangeiros.

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