Trump segue definindo equipe de governo com sigilo e em meio a polêmicas

Agustín de Gracia.

Nova York, 15 nov (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, seguiu nesta terça-feira realizando reuniões para formar a equipe que o acompanhar na Casa Branca, com listas de favoritos cada vez mais repletas e polêmica pelos nomes escolhidos.

Desde a torre de Nova York que leva seu nome e que se transformou no quartel-general da transição, Trump se reuniu hoje com uma série de colaboradores diretos e com políticos com os quais até há pouco tempo mantinha uma forte rivalidade.

Estiveram na Trump Tower o vice-presidente eleito, Mike Pence, transformado em chefe da equipe de transição, e o senador pelo Texas Ted Cruz, o rival mais difícil que o empresário teve nas eleições primárias do Partido Republicano.

Enquanto Pence entrou pela porta da frente, cumprimentando os jornalistas que estavam no edifício, Cruz precisou passar por uma porta dos fundos, apesar de uma porta-voz ter confirmado a reunião.

Cruz, segundo a fonte, teve o "prazer de ter a oportunidade" de se reunir com Trump hoje em Nova York e lembrou as promessas feitas por ele sobre os programas oficiais de saúde, garantir fronteiras mais seguras e criar melhores postos de trabalho.

"Em nome dos 27 milhões de texanos que representa, o senador confia em auxiliar o governo Trump para conseguir esses alvos", diz o comunicado divulgado pela porta-voz de Cruz, Catherine Frazier.

Pence, por sua vez, que ficou na Trump Tower por seis horas, foi suscinto nas declarações. Ao sair, só disse que tinha sido "grande dia" quando foi consultado sobre o desenvolvimento da rodada.

Por enquanto, Trump só fez duas nomeações de alto nível, no domingo passado. A chefia de gabinete será assumida pelo presidente do Comitê Nacional Republicano, Reince Priebus. Já o chefe de estratégia e conselheiro senior será Stephen Bannon.

A escolha de Bannon, considerado como uma das vozes mais sonoras da direita radical que apoia Trump, foi muito criticada em círculos políticos e na imprensa, que lembram seus comentários racistas e misóginos dos últimos meses.

Hoje foi a vez do líder democrata no Senado, Harry Reid, que acusou Trump de colocar em um posto-chave da futura administração um "campeão dos supremacistas brancos".

"Que mensagem Trump envia a uma moça que acorde temerosa de ser uma mulher de cor nos EUA?", perguntou Reid, se referindo à nomeação de Bannon, que foi elogiado por grupos de extrema-direita do país.

"Demostre aos EUA que o racismo, o abuso e a intolerância não tem vez na Casa Branca", disse Reid, se dirigindo a Trump.

Enquanto isso, seguem aparecendo na imprensa os nomes das pessoas que possivelmente acompanharão Trump quando ele assumir a presidência dos EUA em janeiro, substituindo o democrata Barack Obama, que deixará o poder após oito anos.

Um deles é o ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, que pode ser o próximo secretário de Estado ou procurador-geral. O último cargo, porém, parece está mais longe, segundo o próprio Giuliani disse em um fórum que participou em Washington nesta segunda-feira.

Fontes da "CNN", no entanto, afirmam que Giuliani terá problemas para assumir a chefia da diplomacia dos EUA pela assessoria que sua empresa deu a uma filial americana da companhia de petróleo da Venezuela, a PDVSA.

A Trump Tower foi palco hoje, mais uma vez, de um trânsito intenso de personalidades políticas que entravam no edifício onde o empresário mantém seus escritórios e também sua residência pessoal.

Mas também estiveram no local outras pessoas do entorno familiar do republicano, como Marla Maples, a segunda esposa do presidente eleito e mãe de uma de suas filhas, Tiffany.

Espera-se que nos próximos dias Trump divulgue mais nomes da equipe que o acompanhará. Por enquanto, uma pessoa já rejeitou participar do futuro governo. O pré-candidato presidencial republicano Ben Carson negou qualquer intenção de qualquer acusação oficial na administração do polêmico empresário.

Outros, por outro lado, como o general reformado Keith Kellogg, que também visitou hoje a Trump Tower, também deixaram claro a disposição de estar na equipe do presidente eleito.

"Se o presidente dos EUA, ou o presidente eleito, te oferece uma posição que inclua até passear com seus cachorros, você tem que pensar seriamente (em aceitar o convite)", afirmou Kellogg.

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