Juiz dos EUA ordena Cuba a indenizar americanos sequestrados pelas Farc

Washington, 16 nov (EFE).- Um juiz dos Estados Unidos ordenou o governo de Cuba a indenizar com mais de US$ 166 milhões três americanos sequestrados e torturados durante mais de cinco anos por guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), assim como os familiares de outro que foi assassinado.

O juiz do Distrito de Columbia, Amid Mehta, ditou na semana passada uma ordem, à qual a Agência Efe teve acesso nesta quarta-feira, na qual determina que Cuba deve pagar exatamente US$ 166,01 milhões por ter dado "apoio material" às Farc "em um número diferentes de formas".

Por exemplo, segundo o magistrado, os irmãos Fidel e Raúl Castro deram explosivos e armas aos guerrilheiros para que aprendessem a combater em campos de treinamento da Venezuela, outro dos países que o juiz Mehta culpa pelas atividades de tráfico de cocaína das Farc.

"Cuba usou sua relação próxima com o governo da Venezuela para facilitar a distribuição de cocaína das Farc que pôde passar de forma segura através da fronteira entre Colômbia e Venezuela, o que permitiu às Farc traficar a droga e evitar ações para frustrar suas operações, como resgatar reféns", considerou o juiz.

Para o magistrado, Cuba tem responsabilidade no sequestro dos americanos Marc Gonsalves, Thomas Howes e Keith Stansell, que trabalhavam para uma empresa terceirizada pelo Pentágono e estiveram aprisionados entre 2003 e 2008, quando foram resgatados em uma operação especial pelas autoridades colombianas.

Nessa operação também foi libertada a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt e 11 militares e policiais colombianos.

O sequestro dos cidadãos americanos aconteceu em fevereiro de 2003, quando o avião no qual viajavam teve que aterrissar de maneira forçada em Florencia, no departamento de Caquetá, no sul da Colômbia.

Nesse momento, os três norte-americanos viajavam com outro cidadão americano, Thomas Janis, e o sargento colombiano Luis Alcides Cruz, que foram assassinados no local do acidente por membros das Farc, segundo o juiz.

Durante os seguintes 1.967 dias (quase cinco anos e meio), os três americanos sofreram "tratos cruéis e desumanos" nas mãos dos guerrilheiros, que lhes fizeram caminhar longas distâncias pela floresta e lhes encarceraram dentro de celas com correntes e cordas ao redor do pescoço e dos punhos.

"Os reféns viveram em condições traumáticas e insalubres", afirmou o juiz, que destacou um momento no qual um dos sequestrados, Howes, "sofreu uma doença que fez crescer larvas de mosca debaixo de sua pele e teve que matá-las apertando um cigarro de nicotina em sua pele".

O magistrado dos Estados Unidos também assegura em sua sentença que os guerrilheiros das Farc "infligiram danos mentais extremos e sofrimento" aos reféns, com castigos "com regularidade".

Nesse sentido, o juiz contou que os guerrilheiros obrigavam os americanos a comer alimentos podres e impregnados de gasolina e chegaram a prendê-los sozinhos, proibindo-os de falar durante "meses e meses".

Para emitir sua ordem, o juiz garantiu que a corte do Distrito de Columbia é competente para atender processos sobre governos estrangeiros, aos quais cidadãos americanos reivindicam uma compensação civil e que formam casos como este no qual "Cuba não pode reivindicar imunidade soberana".

Desde que o processo começou, em setembro de 2015, o governo de Cuba não se posicionou sobre o caso e não designou nenhum advogado para sua defesa, segundo consta em documentos da corte dos EUA.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos