Países do Cone Sul ampliam cooperação para combate ao crime transnacional

Brasília, 16 nov (EFE).- Autoridades de Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Uruguai e Paraguai decidiram nesta quarta-feira em Brasília que adotarão medidas conjuntas para combater o crime transnacional, especialmente o tráfico de drogas, de armas e pessoas.

A chamada Reunião Ministerial do Cone Sul sobre Segurança nas Fronteiras concluiu com uma declaração conjunta na qual esses seis países se comprometem a "fortalecer e consolidar" as tarefas de segurança nas áreas fronteiriças e também a expandir essa ação ao âmbito das investigações sobre lavagem de dinheiro.

A reunião foi inaugurada pelo presidente Michel Temer, que declarou que "a novidade das últimas décadas é que as alianças (entre os criminosos) se tornaram muito mais complexas e agora atravessam as fronteiras".

De acordo com o presidente, a única forma de enfrentar esse fenômeno é por meio de uma "união de Estados", razão pela qual instou os seis países representados na reunião a "combater unidos esta globalização do crime transnacional".

Segundo Temer, "um dos maiores dramas do presente, que alcança níveis de violência intoleráveis e atravessa fronteiras é o narcotráfico", que "tem característica de tragédia" por seu impacto nas sociedades e deve ser combatido com ações multinacionais.

Da reunião participaram os ministros das Relações Exteriores da Bolívia, David Choquehuanca, e do Paraguai, Eladio Loizaga, enquanto a Argentina esteve representada pelo titular da Defesa, Julio César Martínez.

As delegações de Chile e Uruguai estiveram lideradas pelos respectivos vice-ministros das Relações Exteriores, Edgardo Riveros e José Luis Cancela.

Pelo lado do Brasil, além de Temer e do chanceler José Serra, estavam os ministros da Defesa, Raul Jungmann, e da Justiça, Alexandre de Moraes, assim como outras autoridades desses âmbitos nos níveis regionais.

Moraes destacou em declarações a jornalistas o caráter "inédito" desta reunião, sobre a qual garantiu que "permitiu comprovar o desejo comum de buscar mecanismos específicos para ações conjuntas nas fronteiras".

O ministro da Justiça explicou que, concretamente, foi estabelecida uma maior troca de informação de inteligência entre os corpos de segurança dos seis países, a realização de operações conjuntas nas zonas fronteiriças e uma estreita cooperação contra os mecanismos de lavagem de dinheiro.

"Devemos sufocar o crime transnacional seguindo o caminho do dinheiro", declarou Moraes.

Segundo Jungmann, o Brasil se ofereceu para ampliar tanto em sua duração como em espaço físico a chamada Operação Ágata, que as forças armadas realizam a cada ano nas zonas fronteiriças do país.

Essas operações, que chegam a mobilizar até 15.000 soldados dos três braços das forças armadas, são realizadas anualmente há mais de uma década, por um período que não costuma passar de um mês.

No entanto, Jungmann explicou que isso diminuía a efetividade dessas ações de combate ao crime transnacional, que tinham perdido o fator surpresa.

"Agora passarão a ser imprevisíveis. Serão por surpresa, por períodos de tempo maiores e em espaços físicos fronteiriços muito mais extensos, tudo em cooperação com os países vizinhos", declarou o ministro da Justiça.

Serra, por sua vez, afirmou que o Brasil é um dos países da região mais afetados pelo crime transnacional, por suas próprias dimensões territoriais e o tamanho de seu mercado.

"Hoje o Brasil é um dos primeiros consumidores de cocaína do mundo" em termos absolutos e tem taxas de violência que são "maiores que em muitas guerras", destacou Serra, que lembrou que no ano passado cerca de 60.000 pessoas foram assassinadas no país.

"Por isso é necessária esta cooperação que começa a incubar sobre a base que as fronteiras não podem ser barreiras para o combate ao crime transnacional", ressaltou o chanceler.

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