Samper se diz contrário a novo referendo sobre a paz com as Farc na Colômbia

Mar Marín.

Rio de Janeiro, 16 nov (EFE).- O secretário-geral da União das Nações Sul-Americanas, Ernesto Samper, se mostrou nesta quarta-feira, em entrevista à Agência Efe, contrário a um novo referendo sobre o processo de paz na Colômbia.

"Estou totalmente em desacordo com os que pensam que a solução (para a paz na Colômbia) seja um novo referendo. Um plebiscito seria derrotado, como foi o anterior", disse Samper, que está no Rio de Janeiro para apresentar uma nova iniciativa regional sobre a saúde.

"A experiência recente na Colômbia, o 'Brexit'... estão demonstrando que o diabo sobrecarrega o 'não' nessas negociações. O que as pessoas mostram através do voto são seus ódios e descontentamento com o sistema.

O ex-presidente da Colômbia afirmou que um dos problemas dos diálogos de paz que ocorreram em Havana foi a falta de "participação suficiente da sociedade civil".

"As pessoas defendem a paz, mas não fazer concessões às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia). E é impossível fazer um acordo sem concessões", indicou o secretário-geral da Unasul.

No entanto, Samper afirmou que a Colômbia tem "meio século de violência superada" após o acordo firmado pelo presidente do país, Juan Manuel Santos, e as Farc. "Resta agora implementá-lo", disse.

O próximo desafio, avaliou o ex-presidente, é um acordo com o Exército da Libertação Nacional (ELN). "A paz com o ELN é a peça que falta no quebra-cabeça colombiano", afirmou Samper.

O ex-presidente colombiano também se mostrou otimista em relação a uma possível saída para a crise política da Venezuela, outro dos grandes temas que preocupam a região.

"O único caminho na Venezuela é o entendimento entre governo e oposição, e tentar evitar a polarização ou reduzir simplesmente as opções políticas a apenas uma mudança de governo", ressaltou.

"É preciso trabalhar, mas primeiro pelos interesses do país, depois pelos interesses partidários", ressaltou Samper, convencido que o resultado das duas mesas de diálogo abertas até agora é "totalmente satisfatório" e que um acordo pode ser "tornado oficial" na próxima reunião entre as partes.

Na entrevista à Efe, Samper também falou sobre a vitória de Donald Trump e pediu que o presidente eleito dos Estados Unidos esclareça suas posições sobre temas-chave para a América Latina, como a aproximação com Cuba iniciada pelo presidente Barack Obama, o processo de paz colombiano e a situação dos latinos no país.

O secretário-geral da Unasul se mostrou especialmente preocupado com as recentes declarações de Trump sobre a intenção de deportar 3 milhões de imigrantes ilegais com antecedentes criminais do país.

"É desproporcional", denunciou Samper, que pediu "provas" das supostas atividades ilícitas dos 3 milhões de latinos nos EUA, admitindo que é difícil pensar em uma melhora das relações entre norte-americanos e a região com esse tipo de declaração.

Samper apresentará hoje no Rio de Janeiro o Banco Regional de Remédios, uma iniciativa da Unasul para facilitar e baratear o custo dos medicamentos na região.

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