Governador do Sudão do Sul renuncia em protesto por torturas do Exército

Juba, 17 nov (EFE).- Um governador provincial do Sudão do Sul apresentou nesta quinta-feira sua renúncia em protesto pelos supostos assassinatos e torturas contra civis perpetrados pelo Exército sul-sudanês, que provocaram a fuga de milhares de pessoas a zonas florestosas e às vizinhas Uganda e República Democrática do Congo.

Toti Jacop, governador de Lujulu, situada no estado meridional de Yei River, expressou em sua mensagem de renúncia. "Não me sinto tranquilo quando vejo que o povo seja assassinado e torturado e seus lares incendiados, por isso apresentei minha renúncia ao posto governamental".

Jacob disse que tomou dita decisão depois que as tropas saquearam e incendiaram uma igreja e um mercado local e além disso mataram uma professora da região.

Além disso, afirmou que se sente muito frustrado pelo maus-tratos do Exército com os civis.

"As práticas não profissionais do Exército é o que me impulsionou a renunciar a meu posto", recalcou Jacop em sua mensagem.

Por fim, pediu ao governo que "se esforçe para consolidar a cultura do diálogo para resolver o atual conflito, ao invés de atacar civis indefesos".

No último dia 11, o enviado especial da ONU para a prevenção do genocídio, Adama Dieng, advertiu que a atual violência no Sudão do Sul e "a propagação do ódio étnico poderiam derivar em genocídio se não for feito agora algo para detê-lo".

Por isso, Dieng pediu às autoridades sul-sudanesas que protejam os civis para evitar mais agressões étnicas, em entrevista à imprensa na sede da missão da ONU em Juba.

O responsável da ONU disse que durante sua visita aos acampamentos de deslocados estabelecidos pela ONU em Juba e Yei, situado ao sul da capital, comprovou "a falta de confiança entre o Exército e os civis".

O conflito explodiu em dezembro de 2013 depois que o presidente sul-sudanês, Salva Kiir, de etnia dinka, acusou seu ex-vice-presidente, Riek Machar, da tribo nuer, de uma tentativa de golpe de Estado.

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