Interesses empresariais de Trump podem complicar seu governo

Jairo Mejía.

Washington, 17 nov (EFE).- O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, tem um complexo entrecruzado empresarial no mundo todo que, apesar das promessas de delegar esses interesses aos seus filhos, poderia complicar seu mandato e aumentar as suspeitas sobre suas decisões no Salão Oval.

No próximo dia 20 de janeiro, quando iniciará seu mandato como presidente dos Estados Unidos, Trump chegará à Casa Branca, sua nova moradia, ao sair do Capitólio e após passar em frente do novo Hotel Trump da Avenida Pensilvânia, no centro de Washington.

Esse edifício está sob regime de aluguel há 60 anos com uma agência governamental, a mesma que uma vez no poder Trump supervisionará e controlará, desde as nomeações internas até suas normativas sob poder do Executivo.

Esse é só um exemplo dos muitos conflitos de interesses que podem surgir para um presidente que nunca exerceu um cargo eletivo e que, apesar de tudo, não está sujeito às mesmas considerações legais que seus subalternos, que por lei não podem participar de decisões de governo que afetem negócios particulares ou familiares.

Segundo o ex-prefeito de Nova York, Rudolph Giuliani, que está sendo considerado para o posto de procurador-geral, a lei não obriga Trump a pôr todos seus negócios em um chamado "fideicomisso cego", como fizeram outros presidentes para evitar choques entre seu patrimônio e a função pública.

Estes tipos de fundos administram os negócios ou capital de uma pessoa sem que o interessado tenha qualquer contato ou influência nos gerentes.

Trump, por enquanto, não falou de nenhum "fideicomisso cego" e se limitou a dizer durante a campanha que cederia todos seus negócios a seus filhos, os quais, no entanto, agora são parte da equipe de transição à Casa Branca, algo que contradiz sua mensagem de independência.

Sua filha Ivanka Trump e seus filhos Donald Jr. e Eric estiveram presentes em reuniões para desenhar a nova Administração, apesar de gerenciarem empresas com investimentos no mundo todo e interesses que se chocam com decisões do governo federal ou da Justiça.

Segundo indicou o professor da faculdade de Direito da Universidade de Columbia, Richard Briffault, em um comentário no site Politifact, Trump está isento de leis de defesa de conflitos de interesses para evitar que exercite a recusação em alguma decisão de governo, algo que poderia ser considerado inconstitucional.

Apesar de o magnata estar protegido pela lei perante possíveis conflitos de interesses em um nível que não estariam os membros de seu gabinete, escândalos sobre decisões que afetem seus negócios poderiam prejudicar sua presidência e, eventualmente, levar o Congresso a iniciar um processo de impeachment, que poderia acabar com seu mandato antes de tempo.

Trump continua sendo, até o momento, o presidente-executivo da Trump Organization, um conglomerado que administra bilhões de dólares em mais de uma dúzia de hotéis e campos de golfe ou edifícios em áreas de grande valor imobiliário, como a Trump Tower, em pleno centro de Manhattan, em Nova York, onde vive o milionário.

"É preciso confiar na integridade do presidente", afirmou no domingo passado Giuliani em uma entrevista à emissora "CNN". "Se quisesse enriquecer, não teria se candidatado à presidência", acrescentou o ex-prefeito.

Trump negou os rumores que seus filhos estejam tentando obter autorização legal para acessar informação confidencial e sensível durante o mandato de seu pai na Casa Branca, algo que agravaria os problemas de conflito de interesses na família.

Por outro lado, o presidente estará obrigado a apresentar declarações de ativos anualmente a partir de sua chegada ao poder.

O multimilionário, que fez campanha com a promessa de acabar com a corrupção que - segundo ele - assola os centros de poder em Washington, chegará à Casa Branca como um dos líderes mais ricos a ocupar o posto.

E também como um dos menos experientes nos complicados malabarismos do poder político.

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