Moradores de Nova York tentam apagar do mapa nome de Donald Trump

Khrystyna Kinson.

Nova York, 16 nov (EFE).- Três edifícios de Nova York retiraram nesta quarta-feira de suas fachadas grandes letras douradas que formavam o nome de Donald Trump como um sinal do receio sentido pelos moradores ao presidente eleito, que, apesar de ter nascido na cidade, acham que o magnata não os representam.

Vizinhos do condomínio de luxo "Trump Place", localizado nas margens do rio Hudson, testemunharam com satisfação a retirada do letreiro com o nome do magnata dos edifícios, após a assinatura no mês passado de uma petição onde afirmavam sentir "vergonha" do republicano.

"Tivemos que nos livrar desse nome de nossas casas, embora não possamos nos livrar de sua influência em nossa vida, nem despertar deste pesadelo", explicou à Agência Efe David Linnell, um aposentado de 70 anos, que pediu a retirada do nome por considerar ser "um insulto" a democracia.

E a frase "Não é meu presidente" ganhou força em Nova York, cidade mais populosa dos Estados Unidos, onde acontecem seguidos protestos repudiando o magnata por seu agressivo discurso contra as mulheres, imigrantes e outros grupos sociais ao longo de sua campanha.

"Pelo menos algo de positivo nos aconteceu após esta terrível campanha, (o nome de Trump) já não está em nossa casa", declarou Tom, outro morador, que também assinou a petição para mudar o nome dos três edifícios da Riverside Boulevard.

Na sua opinião, o nome de Trump representa "algo diferente ao que era antes", agora está associado ao ódio e isso é uma coisa da qual não quer participar.

Um ponto em que coincide Wendy, outra moradora do bairro, que define o republicano como um homem "irracional" e de ideias "racistas" que exclui e divide os americanos.

"Ele não acredita na democracia e nem na Constituição. Nós acreditamos em um mundo global e no importante papel que desempenha Estados Unidos, e isso ele não se importa com isso", afirmou.

"É um pequeno gesto simbólico, uma mostra dos valores que temos neste bairro, mas é bom que as pessoas saibam que em sua cidade natal não o apoia", disse Richard, que vive há 16 anos em um dos blocos em que Trump desapareceu, inclusive, dos uniformes dos porteiros.

Embora o proprietário destes edifícios - que mudarão de "Trump Place" para o nome da rua onde estão localizados - seja a empresa imobiliária Equity Residencial, o magnata nova-iorquino participou do desenvolvimento urbano deste complexo de 1.325 apartamentos e cedeu os direitos do uso de sua marca.

Os três edifícios representam apenas uma pequena parte das várias propriedades na 'Big Apple' que levam o nome do republicano, que transformou o sobrenome Trump em uma marca vinculada ao luxo e riqueza.

O nome de Trump também está na torre onde ele vive e trabalha, além de outro edifício, localizado em frente ao complexo da ONU.

"Muitos proprietários acham que o fato de que seu nome estar pendurado em seus edifícios não apenas envergonha os moradores, mas faz com que percam valor no mercado, por conta do estigma que representa", afirmou Kash Guha, um agente imobiliário que trabalha na região e reside em um dos blocos que ainda levam o nome de "Trump Place".

Para Guha, a pressão dos moradores para retirar o nome é um exemplo de como a sociedade nova-iorquina está reagindo ao processo de transição, em um estado onde a votação foi de maioria democrata, apesar de ser consciente de que não se estende para todo o país.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos