Roma inicia fechamento das chamadas "mesquitas-garagem"

Gonzalo Sánchez.

Roma, 17 nov (EFE).- Na periferia de Roma, milhares de muçulmanos frequentam todos os dias as chamadas "salas de oração, garagens convertidas em mesquitas que estão sendo revisadas pela prefeitura e, em alguns casos, fechadas devido à precariedade das instalações.

Pelo menos 100 mil dos 1,5 milhão de muçulmanos que vivem na Itália residem na capital, segundo as estimativas do Ministério do Interior, mas na cidade só há um local de culto oficialmente reconhecido: a Grande Mesquita.

O templo, o maior da Europa, tem capacidade para 12 mil fiéis, mas está afastado para a maioria dos muçulmanos, que moram em bairros periféricos da capital italiana.

Diante da situação, nos últimos anos uma rede de movimentados "centros de oração" foi se desenvolvendo em garagens e armazéns dessas regiões. O Ministério do Interior estima que haja 700 locais como esses em todo o país, mas não há dados precisos.

É o caso do "centro de cultura islâmica" da avenida Gabrio Serbelloni, um local estreito e labiríntico que é acessado por um longo corredor com várias câmeras de segurança e unicamente iluminado por uma máquina de venda de refrigerantes.

Ao fundo, após várias cortinas, dezenas de meninos e meninas aprendem a recitar os textos religiosos. Junto à improvisada escola também há uma aparatosa cozinha e uma série de torneiras.

No coração do centro, a sala de oração, há um amplo espaço pavimentado com carpete verde e com um falso teto onde estão presos alguns ventiladores, o único sistema de ventilação do local.

Não há janelas nos muros, o que acarreta na ausência de luz natural. Na sala há algumas poucas fotos de Roma, um relógio digital e o "mihrab, o nicho para estátuas que aponta para Meca.

As autoridades consideram esses espaços como irregulares e o principal problema são os perigos que ele representam, já que recebem um grande número de fiéis apesar da ausência de medidas de segurança, como alarmes de incêndio e saídas de emergência.

Por essa razão, a polícia fechou cinco centros no bairro de Centocelle e denunciou os gerentes. O único da região que segue aberto está com os dias contados, já que também recebeu a notificação para encerrar as atividades.

Bachcur é um bengalês que vive há 27 anos na Itália e que trabalha com a tramitação dos pedidos de asilo dos imigrantes. Ele representa a Associação Dhuumcatu, que promoveu protestos contra o fechamento dos locais emblemáticos da capital, como o Coliseu.

"Estamos de acordo, sabemos e compreendemos que há uma irregularidade, não ilegalidade. Não se pode fechar os centros, isso significa cuspir na cara da fé", afirmou à Agência Efe.

Para ele, os centros de oração são uma alternativa em uma cidade que só possui uma mesquita. "É como se um católico tivesse que atravessar Roma todos os dias para assistir a uma missa no Vaticano", comparou.

Bachcur avaliou que o melhor seria dar tempo para que os muçulmanos apresentassem projetos de adequação para os centros. Caso o edifício em questão não possa ser modificado, ele sugere que o uso provisório seja autorizado até que um novo local seja encontrado.

O porta-voz da Grande Mesquita, Omar Camiletti, reconheceu que o templo fica um pouco afastado da região habitada pelos muçulmanos, mas destacou que é possível visitá-lo com relativa facilidade.

A prefeitura colocou uma linha de ônibus à disposição dos fiéis, além de outros veículos que partem para o centro a cada sexta-feira, quando a mesquita recebe três mil fiéis para a oração coletiva, explicou Camiletti.

Em qualquer caso, disse o porta-voz, o fechamento das "mesquitas-garagem" é um "tema delicado" para as autoridades romanas e feriu a sensibilidade de seus fiéis.

Bachcur destacou que muitos dos seus conhecidos "sentem raiva" da situação, mas que os esforços da organização comandada por ele é fazer com que "se livrem da raiva com a oração".

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