Sérgio Cabral liderou esquema que desviou R$ 224 milhões

Rio de Janeiro, 17 nov (EFE).- O ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral detido nesta quinta-feira por suspeitas de corrupção relacionada a obras realizadas no estado, desviou cerca de R$ 224 milhões de contratos com empresas, afirmaram fontes oficiais.

Essas propinas, pagas por grandes construtoras que também estão envolvidas no esquema de corrupção na Petrobras, corresponderam a contratos de obras fraudulentas que incluíram a reforma do Maracanã, declarou em entrevista coletiva o promotor do Ministério Público Lauro Coelho Júnior.

Outros projetos que valeram propinas milionárias ao ex-governador e a alguns de seus colaboradores foram contratos para obras de infraestrutura nas favelas do Rio de Janeiro e de mobilidade urbana, algumas delas realizadas para a Copa do Mundo de 2014 e para os Jogos Olímpicos realizados este ano.

Cabral governou o estado entre 2007 e 2014, um período no qual foram contratadas obras de infraestrutura gigantes com o objetivo de preparar a cidade para esses dois grandes eventos esportivos.

Segundo o promotor, essas comissões ilegais foram pagas pelas construtoras durante todos os anos que Cabral esteve à frente do governo e eram divididas em cotas mensais variáveis, as quais calculou que chegaram a um total de R$ 224 milhões.

Lauro explicou que durante a operação realizada hoje, na qual foram detidos Cabral e outros ex-funcionários do governo do estado, foram apreendidas várias obras de arte e objetos de "altíssimo custo", que se suspeita que foram entregues também pelas construtoras a título de pagamento.

A PF informou que chegou a este novo esquema de corrupção graças a um acordo de cooperação judicial estipulado por executivos das empresas Andrade Gutiérrez e Carioca Engenharia, em troca de uma futura redução de pena, a chamada delação premiada.

Esse acordo foi assinado dentro das investigações realizadas há quase dois anos na Petrobras, na qual foi criada uma rede de corrupção que se apropriou ilegalmente de quase US$ 2 bilhões entre 2004 e 2014, segundo os cálculos da própria estatal, refletidos em seus balanços.

As irregularidades na Petrobras atingiram dezenas das mais importantes construtoras do país e dirigentes dos partidos políticos mais representativos do país, muitos dos quais já foram condenados à prisão.

A imprensa que faz a cobertura política assegura que muitos dos parlamentares que estão envolvidos nesses esquemas de corrupção poderiam manobrar e legislar no sentido de abrandar as penas aplicadas no país em casos de corrupção.

Nesse sentido, o promotor Athayde Ribeiro Costa pediu na mesma entrevista coletiva que "a sociedade brasileira fique atenta e vigie o Congresso", porque "é necessário avançar na luta contra a corrupção" e "não permitir retrocessos".

A detenção de Cabral ocorreu em um momento em que o estado do Rio de Janeiro enfrenta uma gravíssima crise fiscal e financeira que levou o atual governador, Luiz Fernando Pezão, a propor um severo plano de ajustes, que inclui até corte de salários dos funcionários públicos.

Pezão foi vice-governador de Cabral e o sucedeu no governo, mas apesar de sua proximidade com ele não aparece como investigado nas operações realizadas hoje pela Polícia Federal.

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