Exército polonês quer que mulheres civis aprendam defesa pessoal

Nacho Temiño.

Varsóvia, 18 nov (EFE).- O Ministério da Defesa da Polônia decidiu oferecer cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres civis, uma polêmica iniciativa que se soma à criação de unidades militares de voluntários e que faz com que o exército esteja mais presente do que nunca na sociedade.

O objetivo do Ministério é que todas as mulheres maiores de idade e em bom estado de saúde tenham a oportunidade de aprender a defender-se sem armas e saibam reagir perante uma possível agressão.

Com esse objetivo, "os melhores instrutores do exército polonês", segundo o ministro da Defesa, Antoni Macierewicz, oferecerão aulas em 30 cidades a partir deste sábado e até junho de 2017.

Macierewicz acredita que estes cursos gratuitos servirão para melhorar a condição física e a sensação de segurança das participantes, que terão 90 minutos uma vez ao mês para aprender como responder a uma agressão, inclusive com arma branca, enfrentar vários agressores e uma série de técnicas de mãos vazias.

"Convidamos todas as mulheres interessadas na autodefesa, não há limites de idade", disse Macierewicz, que considera que esta iniciativa também servirá para aproximar o exército da sociedade civil.

As críticas não demoraram a surgir e os partidos da oposição se perguntam por que o Ministério da Defesa decidiu assumir cursos que deveriam ser oferecidos pela polícia, já que os militares devem se focar em dissuadir potenciais agressões do exterior e não em envolver-se na segurança interna.

O jornal "Diennik Polski" vai além e questiona se estas aulas gratuitas não são mais que um exercício de propaganda do exército, para demonstrar sua preocupação com as mulheres polonesas e sua intenção de zelar pela segurança nas ruas.

O instrutor Jolanta Wasileska, que ensina em Varsóvia técnicas de defesa pessoal usadas pelas forças de segurança israelenses, declarou à Agência Efe que iniciativas como esta do Ministério são sempre positivas, já que existe uma grande demanda de mulheres com interesse em aprender autodefesa e, ao mesmo tempo, melhorar sua condição física.

Os cursos coincidem com os planos da pasta de Defesa de criar uma força de 53.000 voluntários, similar à Guarda Nacional dos Estados Unidos, e que foi aprovada na última quarta-feira pelo parlamento polonês.

Macierewicz acredita que as unidades de voluntários servirão para dissuadir a Rússia de atacar o território polonês por meio de técnicas de infiltração ou guerra híbrida similares às empregadas na Ucrânia.

O plano prevê que até 2019 cada uma das 16 províncias do país tenha uma força de 3.000 a 5.000 voluntários com treinamento militar, embora a prioridade seja seu desdobramento nas regiões orientais, consideradas as mais expostas à pressão russa.

As criticas a este projeto, que terá um custo aproximado de 800 milhões de euros, também começaram e se questiona sua utilidade prática perante um cenário de guerra moderna.

Além de considerações técnicas, parte da oposição e dos veículos de comunicação poloneses expressaram seu temor de que este corpo de voluntários se transforme em uma espécie de guarda pretoriana a serviço do partido governante Lei e Justiça.

Para o membro do partido liberal Plataforma Cívica, Borys Budka, "se trata de um projeto muito perigoso, porque dá aos dirigentes políticos da direita a possibilidade de dispor de um grupo armado que pode ser utilizado para lutar contra a oposição".

A situação na vizinha Ucrânia e o temor do expansionismo russo na região fez com que aumentasse na Polônia o interesse pelas forças armadas e pelas organizações paramilitares, cujos membros aprendem técnicas de sobrevivência ou o manejo de armas com o objetivo de ser um exército partisano em caso de invasão.

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