Insegurança no Haiti é empecilho para a normalidade e ameaça eleições

Porto Príncipe, 18 nov (EFE).- País mais pobre da América, o Haiti realizará eleições gerais neste domingo em meio a uma crescente situação de insegurança, um flagelo que castiga a população local há décadas apesar dos 12 anos de atuação da Missão da ONU para a Estabilização (Minustah).

O pleito foi antecedido de dezenas de assassinatos. Um deles foi o da freira espanhola Isabel Solá Matas, de 51 anos, que foi baleada por um grupo de desconhecidos em setembro, quando dirigia pela capital do país, Porto Príncipe. A morte da religiosa foi lamentada pelo próprio papa Francisco, que pediu para o fim dos atos de violência no Haiti e mais segurança para todos.

Dois meses antes, o escritor e editor Wilhems Edouard foi morto quando voltava de um banco em Petionville, no oeste da capital, outro homicídio que comoveu o país.

Esses e outros assassinatos ainda não foram esclarecidos, enquanto a população observa como o problema da insegurança só é abordado nos discurso ou nos programas de governo dos candidatos.

De acordo com a Rede Nacional para a Defesa dos Direitos Humanos no Haiti (RNDDH), foram cometidos 1.324 assassinatos no país entre janeiro de 2015 e junho de 2016. Relatórios do órgão indicam que a insegurança segue piorando, com média de 70 mortes ao mês.

Para evitar qualquer eventualidade e como medida preventiva para o pleito, a Polícia Nacional e o Conselho Eleitoral Provisório (CEP), com o apoio da ONU, prepararam um plano de segurança que envolve cerca de 600 agentes e 2 mil boinas azuis da Minustah.

O Haiti segue dependendo da ONU para garantir a segurança do país mais de dez anos depois da chegada da Minustah. A missão foi estabelecida em junho de 2004 com soldados de mais de 20 países, grande parte deles do Brasil, três meses depois do golpe de Estado contra Jean-Bertrand Aristide, que se refugiou na África do Sul.

Com mais de 10 milhões de habitantes, o Haiti conta com uma Polícia Nacional formada por apenas 20 mil agentes. Por isso, o país segue dependendo da Minustah, mas a missão vem diminuindo ao longo dos anos. Para piorar, muitos países já anunciaram que seus soldados irão deixar o país no próximo ano, o que pode complicar a situação.

O Conselho de Segurança da ONU estendeu em outubro o mandato da missão dos boinas azuis até abril de 2017, motivado também pela tragédia provocada pela passagem do furacão Matthews no país.

Ciente da realidade vivida pela nação, o presidente interino do Haiti, Jocelerme Privert, se reuniu com a direção da Polícia Nacional e da Minustah para estabelecer as condições necessárias para o pleito, crucial para a frágil situação institucional do país.

"Para nós, a segurança é muito importante. A Polícia tem os elementos necessários para garantir a segurança das eleições com o apoio da missão da ONU", disse o presidente interno.

Privert, que assumiu o cargo em fevereiro após o término do mandato do então presidente, Michel Martelly, disse que o país tem uma "enorme responsabilidade de garantir que cada pessoa pode sair para votar sem medo e que todo o processo termine bem".

"Pedimos que todos respeitem os princípios democráticos e a lei eleitoral para evitar problemas no processo", ressaltou Privert.

A habitual insegurança se somou à violência eleitoral. Por isso, os candidatos foram alertados sobre as consequências de envolvimento com esse tipo de crime.

"Queremos lembrar os partidos e candidatos que eles podem ser excluídos do processo se participarem de atos de violência. A lei eleitoral é muito clara sobre violência e segurança. Os candidatos têm que respeitar a lei eleitoral para garantir o desenvolvimento do processo. Vamos tomar medidas duras contra qualquer pessoa que não respeitar as ordens de segurança que estabelece a lei eleitoral", afirmou o CEP em comunicado.

O CEP e a Polícia Nacional estão treinando milhares de jovens para ajudar a manter a segurança nos centros de votação durante o processo eleitoral.

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