Líderes da Apec fazem defesa da integração e alertam contra o protecionismo

Lima, 19 nov (EFE).- Os líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, sigla em inglês), reunidos em Lima, no Peru, fizeram uma forte defesa da integração de suas economias e alertaram contra o protecionismo comercial, que vem sendo proposto pelo presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a minuta da declaração do encontro, que a Agência Efe teve acesso neste sábado.

Embora o nome do futuro presidente americano não apareça na declaração final, os 21 líderes da Apec mostram sua preocupação porque "a globalização e seus processos de integração associados estão sendo cada vez mais questionados, o que contribui para o surgimento de tendências protecionistas".

"Reafirmamos nosso compromisso de manter nossos mercados abertos e de lutar contra todas as formas de protecionismo", manifestaram os líderes da Apec.

Por isso, os dirigentes das 21 economias do bloco disseram que estão decididos a "reverter medidas protecionistas, que distorcem e debilitam o comércio, freando o progresso e a recuperação da economia internacional".

Oito anos depois da crise financeira de 2008, que suscitou uma grande recessão, "a recuperação da econômica mundial está progredindo, mas enfrenta desafios cada vez maiores e inter-relacionados", segundo a minuta.

"A confluência da desigualdade em algumas economias e o crescimento econômico desigual, assim como a degradação ambiental e os riscos colocados pela mudança climática, afetam as perspectivas de desenvolvimento sustentável e aprofundam a incerteza para o futuro imediato", reconheceram os líderes.

O bloco, que representa 54% do PIB global e 50,3% das exportações mundiais, advertiu que "esses desafios podem representar um risco para as aspirações e objetivos comuns".

Por isso, os dirigentes reafirmam seus esforços "para assegurar que a Apec mantenha sua liderança global como um fórum que pode, por meio da cooperação, abordar os problemas e seguir cultivando novas ideias para o futuro".

Os líderes também manifestam seu compromisso com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 2015, ao considerarem que ela "representa um marco multilateral equilibrado e amplo para a cooperação internacional".

Além disso, as 21 economias da Apec acolhem com consentimento "a recente entrada em vigor do Acordo de Paris", o primeiro pacto vinculativo mundial sobre o clima, que foi adotado na conferência realizada em dezembro do ano passado na capital francesa.

Este acordo, que também é questionado por Trump, representa, segundo a Apec, uma ferramenta eficaz para conter o aquecimento global do planeta, por isso os países se comprometem "com sua aplicação transparente e eficaz, visando uma transição para uma economia de baixa emissão de carbono e resistente à mudança climática".

Ao abordar os desafios e oportunidades para o livre-comércio e os investimentos no atual contexto mundial, a organização reconheceu que "houve uma recuperação lenta e desigual da crise econômica e financeira de 2008".

"Isto se traduziu em um menor crescimento econômico mundial, condições financeiras voláteis, menores preços das matérias-primas, desigualdades crescentes, desafios no campo do emprego e uma expansão consideravelmente mais lenta do comércio internacional nos últimos anos", segundo os líderes da Apec.

Para fortalecer a demanda mundial e lidar com as limitações de oferta, as economias integradas no fórum estão determinadas a "utilizar todas as ferramentas de política monetária, fiscal e estrutural, individual e coletivamente", acrescenta a nota.

Em sintonia com a rejeição a "toda forma de protecionismo", os líderes de Apec concordaram em se abster de recorrer à chamada "desvalorização competitiva" de suas moedas.

"Não indicamos nossas taxas de câmbio com fins competitivos. Reiteramos que a volatilidade excessiva e os movimentos desordenados das taxas de câmbio podem ter consequências negativas para a estabilidade econômica e financeira", diz a nota.

Os líderes da Apec admitem que "o complexo ambiente econômico mundial continuará emoldurando" suas economias, mas que isso "representa uma oportunidade para reiterar o compromisso de construir uma economia dinâmica, harmoniosa e aberta na região da Ásia-Pacífico, que ofereça desenvolvimento inovador, crescimento interconectado e interesses compartilhados entre todos".

A declaração final da Cúpula de Líderes, de sete páginas, aborda também áreas específicas como o incentivo ao uso de energias renováveis, o empoderamento da mulher, o papel das pequenas e médias empresas, a conectividade e a luta contra o terrorismo e a corrupção.

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