Novos protestos elevam pressão sobre presidente da Coreia do Sul

Seul, 19 nov (EFE).- Pelo quarto fim de semana consecutivo, milhares de sul-coreanos foram às ruas de várias cidades do país neste sábado para pedir a renúncia da presidente do país, Park Geun-hye, envolvida em um grande escândalo de corrupção.

Com cartazes vermelhos e letras brancas exigindo a saída de Park, os manifestantes tomaram as principais avenidas das cidades sul-coreanas em protestos organizados pelos partidos de oposição e por mais de mil organizações civis.

O ato coincidiu com o anúncio feito hoje pela Promotoria, que afirmou que nas próximas horas acusará formalmente Choi Soon-sil, a amiga íntima da presidente que está no centro da polêmica por ter enriquecido de forma ilegal graças à relação entre elas.

O principal foco das manifestações voltou a ser Seul, onde as imagens aéreas mostravam a avenida de Gwanghwamun, uma das maiores da cidade, completamente tomada. A organização estima que 500 mil pessoas estiveram nas ruas, um número menor do que o 1 milhão registrado no último sábado, no que se considerou o maior protesto da história democrática da Coreia do Sul.

No centro da capital, era possível ouvir discursos e os insistentes pedidos de renúncia de Park. Velas foram usadas para fazer uma grande vigília contra a presidente quando escureceu.

Além disso, houve manifestações em cidades como Busan, Daegu, Gwangju e Ulsan, evidenciando que a indignação popular não diminuiu mesmo depois de um mês da revelação do escândalo batizado como "Choi Soon-sil Gate", em referência à misteriosa amiga da presidente.

Choi, apesar de não ter nenhum cargo público, era responsável por escrever os discursos de Park, intervir de forma oculta em assuntos do governo e captar recursos de forma ilícita usando sua influência.

O fato de uma desconhecida ter tido a chance de tomar importantes decisões e obter riqueza e privilégios por causa da exclusiva conexão com a líder sul-coreana gerou uma onda de indignação no país, fazendo com que a popularidade de Park despencasse.

Park enfrenta a pior crise política desde que chegou ao poder em 2013, pediu desculpas em várias entrevistas e tentou diminuir a indignação renunciando aos seus poderes no gabinete. Além disso, ela pediu que a oposição eleja um novo primeiro-ministro.

Após o fim da investigação preliminar, a Promotoria anunciou que iria apresentar a acusação formal de Choi, conhecida como "Rasputin sul-coreana", que está presa desde o fim de outubro. Além dela, outros dois ex-assessores da presidente serão denunciados hoje pelos promotores: An Chong-bum e Jeong Ho-seong.

O anúncio poderia revelar o verdadeiro envolvimento de Park no esquema e espera-se que a presidente tenha que depor na próxima semana. O depoimento, marcado inicialmente para a sexta-feira, foi adiado na sexta-feira após um pedido dos advogados.

De maneira simultânea, também no central de Seul, um grupo de 4 mil pessoas foi defender Park. Os agentes evitaram que simpatizantes e opositores da presidente se cruzarem para evitar tumulto, informou o jornal "Korea Herald".

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