Seguidores visitam túmulo de ex-ditador filipino no Cemitério dos Heróis

Manila, 19 nov (EFE).- Aproximadamente 2 mil admiradores do ex-ditador filipino, Ferdinand Marcos, cujos restos mortais foram transferidos na sexta-feira ao Cemitério dos Heróis, em Manila, chegaram neste sábado, vindo do norte do país, para visitar o túmulo do ex-mandatário.

O enterro de Marcos, responsável durante os mais de 20 anos em que ficou no poder por mortes, torturas e prisão ilegal de 100 mil filipinos, aconteceu ontem em meio a um sigilo oficial e protestos das vítimas de seu regime.

O antigo ditador foi sepultado em cerimônia militar privada, que não foi anunciada publicamente até uma hora antes do funeral, onde participou parte da família de Marcos e foi impedida a entrada da imprensa.

Nas primeiras horas de hoje, uma fila de 50 ônibus e 40 veículos particulares chegaram ao cemitério com, segundo os organizadores, cerca de 2,2 mil partidários do ex-ditador, procedentes da província de Ilocos Norte, onde até na semana passada descansava o corpo embalsamado de Marcos.

"Estou feliz por estar aqui com Marcos e ter conseguido este reconhecimento pelo nós lutamos", disse ao portal de notícias "Rappler" a voluntária, Rey Bagasol.

Há dez dias, a Suprema Corte autorizou o enterro de Marcos no Cemitério dos Heróis, desprezando as reivindicações dos opositores.

O sigilo e a rapidez do sepultamento contribuiu com a indignação de milhares de filipinos, que se concentraram ontem em vários pontos do país com cartazes para protestar contra o enterro de Marcos.

Dezenas de figuras destacadas da política filipina também mostraram sua indignação pelo enterro e a maneira como aconteceu, que consideram ilegal por não ter cumprido o prazo estipulado de 15 dias para considerar a decisão final do Supremo.

"Obviamente desobedeceram a lei, já que a decisão não é definitiva", afirmou a vice-presidente das Filipinas, Leni Robredo, em comunicado divulgado nas redes sociais.

A vice-presidente também se mostrou "perturbada" pelo fato do enterro ter acontecido "em coordenação com as Forças Armadas das Filipinas e a Polícia Nacional, que demonstram que o processo judicial foi totalmente ignorado".

"Marcos era um ladrão, um assassino e um ditador", disse Leni Robredo, que pertence ao partido político diferente do presidente do país, Rodrigo Duterte, que apoiou durante a campanha eleitoral a mudança do corpo do ex-ditador.

Ferdinand Marcos foi deposto em fevereiro de 1986 após ter governado Filipinas com punhos de ferro durante mais de duas décadas, e morreu no exílio no Havaí três anos depois.

Desde que o corpo de Marcos voltou para as Filipinas, em 1993, a família do ex-ditador pedia que o sepultamento fosse realizado no Cemitério dos Heróis, no sul de Manila, mas até agora tinham sido ignorados pelos líderes filipinos.

No entanto, Rodrigo Duterte, liberou seu sepultamento há três meses, mas foi adiado até ouvir a decisão da Justiça.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos