Apec promete lutar contra protecionismo e avançar em TLC para Ásia-Pacífico

Álvaro Mellizo.

Lima, 20 nov (EFE).- A 24ª Cúpula de Líderes do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) terminou neste domingo em Lima com a promessa de suas economias de se transformar em um muro contra o protecionismo e avançar na criação de uma área de livre-comércio que abranja todos seus membros.

A incerteza causada após a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos marcou o tom e o conteúdo dos debates, e levou inclusive o presidente do Peru e anfitrião da reunião, Pedro Pablo Kuczynski, a falar de "um momento-chave da história econômica" do mundo ao encerrar o evento, que durante o fim de semana reuniu em Lima os líderes das 21 economias do bloco.

A reunião terminou com uma declaração de alerta sobre os riscos de protecionismo e com a defesa da integração econômica que coincidiu com o documento antecipado no sábado pela Agência Efe e que transformou Trump em protagonista involuntário desta cúpula, que serviu como despedida oficial de Barack Obama da cena internacional.

Em suas conclusões, os líderes mostraram sua preocupação porque "a globalização e seus processos de integração associados são cada vez mais questionados, contribuindo para o surgimento de tendências protecionistas".

"Reafirmamos nosso compromisso de manter nossos mercados abertos e de lutar contra todas as formas de protecionismo", asseguraram.

Assim, os líderes do Apec se mostraram decididos a "reverter medidas protecionistas e distorcidas do comércio que debilitam o comércio e freiam o progresso e a recuperação da economia internacional".

Estas mensagens foram também repetidas até não poder mais de forma pessoal pelos líderes presentes na reunião, liderados por Obama, pelo presidente da China Xi Jinping, pelo japonês Shinzo Abe e o canadense Justin Trudeau.

Além destas mensagens de ordem política, o Apec anunciou seu desejo de avançar rumo à constituição de uma Área de Livre-Comércio da Ásia Pacífico (FTAAP, em inglês) "de forma integral e sistemática".

Segundo a Declaração de Lima, divulgada no fechamento da cúpula, este compromisso será "um instrumento central para aprofundar a agenda de integração econômica regional".

O FTAAP se desenvolverá de forma "externa e paralela" ao Apec e terá como fim não só conseguir a liberalização dos mercados regionais, mas que esta seja "integral e de alta qualidade", além de incluir e atender os "temas de comércio e investimento de segunda geração".

Este acordo deverá ser construído em função dos acordos de livre-comércio entre as economias do bloco atualmente existentes, particularmente o Acordo de Cooperação Transpacífico (TPP) e o Acordo Integral Econômico Regional (RCEP), para o que os líderes pediram que permaneçam "abertos, transparentes e inclusivos".

Os trabalhos preliminares para este objetivo deverão estar prontos até 2020.

A declaração final da Cúpula de Líderes, de sete páginas, abordou também áreas específicas como o impulsionamento das energias renováveis, o empoderamento da mulher, o papel das pequenas e médias empresas, a conectividade e a luta contra o terrorismo e a corrupção.

As economias que fazem parte do Apec são Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China e Hong Kong, Estados Unidos, Indonésia, Japão, Coreia, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua Nova Guiné, Peru, Filipinas, Rússia, Cingapura, Taiwan, Tailândia e Vietnã.

Estas economias do Apec representam 54% do Produto Interno Bruto (PIB) global e 50,3% das exportações mundiais, e contam com um mercado de mais de 2,8 bilhão de pessoas, equivalente a 40% da população mundial.

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