Haiti realiza eleiçao crucial após a cancelada um ano atrás

Porto Príncipe, 20 nov (EFE).- O Haiti realizou neste domingo uma eleição presidencial crucial, que aconteceu com normalidade salvo alguns incidentes isolados, e aguarda agora os resultados que devem ser conhecidos somente dentro de uma semana.

Mais de 6 milhões de haitianos foram convocados às urnas para escolher entre 27 candidatos à Presidência, após a invalidação do pleito de outubro de 2015 por causa de supostas irregularidades e o adiamento do feito em 9 de outubro por causa da emergência originada pelo furacão Matthew.

Desde o dia 15 de fevereiro deste ano, o Haiti é governado pelo presidente provisório, Jocelerme Privert, após concluir, uma semana antes, o período do governo de Michel Martelly sem que se houvesse eleito a seu sucessor, devido à crise política nesta empobrecida nação.

A presidência do Haiti foi disputada por Jovenel Moise, do Partido Haitiano Tet Kale (PHTK); e Jude Celestin, da Liga Alternativa pelo Progresso e Emancipação Haitiana (Lapeh), que obtiveram nas eleições presidenciais canceladas do dia 25 de outubro de 2015 32,81% e 25,27% dos votos, respectivamente.

Também competiram Moise Jean-Charles, da Plataforma dos Filhos de Dessalines, que ficou em terceiro lugar; e Maryse Narcisse, do partido Família Lavalas, que ficou em quarto no pleito do ano passado.

Jovenel Moise foi neste domingo um dos primeiros candidatos a votar e, segundo sua apreciação, tudo se desenvolveu bem, e convidou seus compatriotas a votar "para conseguir um futuro melhor".

Posteriormente votaram em Porto Príncipe, Jude Celestin e Marysse Narcisse, enquanto Moise Jean-Charles o fez em Milot, no norte do país.

Se nenhum dos candidatos obtiver 50% mais um dos votos, será realizado um segundo turno no dia 29 de janeiro próximo.

Depois de terminar o dia, o Conselho Eleitoral Provisório (CEP) pediu à população para esperar com calma os resultados das eleições gerais, esperados para o dia 28 de novembro.

O CEP disse que a jornada transcorreu, em geral, em um clima de tranquilidade e que agora começa a apuração dos votos.

Para o órgão eleitoral, o pleito foi "um grande sucesso" já que 98% dos centros de votação abriu suas portas na hora estabelecida.

O CEP afirmou que apesar do bom ambiente que predominou, se reportaram incidentes isolados e 43 pessoas foram detidas, entre elas 20 acusadas de criar distúrbios, sete por portar armas e seis por agressões físicas, entre outros delitos.

Pouco depois de terminar votação, em vários setores se reportaram blecautes, por isso que em alguns centros de votação a apuração começou a ser feita sem luz ou com velas.

O pleito foi acompanhado por uma equipe de analistas e observadores de 24 nacionalidades que a Organização dos Estados Americanos (OEA) enviou para todo o país.

O chefe da missão de observação eleitoral da OEA, Juan Raúl Ferreira, disse que viram um processo normal com a exceção de situações pontuais "de violência ou alguma irregularidade" que "não formam um padrão de conduta".

"Além do atraso na abertura de alguns colégios, nossos observadores nos reportaram que a situação está com certa normalidade e com uma afluência razoável de eleitores", insistiu o chefe da missão, embora tenha reconhecido que não há números oficiais de participação por enquanto.

As condições nas quais o Haiti se encontra podem derivar em números de participação ainda mais baixos que os registrados no pleito do ano passado, nos quais menos de 30% do eleitorado votou.

Entre as novidades deste processo figuram as câmaras de votação que garantem o voto secreto, o uso de tinta indelével e a instalação de um menor número de mesas em cada colégio.

A recuperação da economia, o êxodo de milhares de cidadãos, a corrupção e os estragos causados pelo furacão Matthew sobre boa parte do país são alguns dos principais desafios que deve enfrentar o novo governo haitiano.

A isto se acrescenta os graves problemas de saúde, tráfico de drogas, baixos níveis de educação, fraqueza da Justiça e a insegurança, só amortecida em parte pela presença de milhares de boinas azuis das Nações Unidas.

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