Premiê húngaro diz que os imigrantes são "vítimas" de políticas ruins

Belgrado, 21 nov (EFE).- O primeiro-ministro da Hungria, Victor Orban, disse nesta segunda-feira que os imigrantes são "vítimas" das más políticas dos governos de seus países, dos traficantes ilegais de pessoas e de uma política equivocada da União Europeia (UE).

"O tema de migrações é um dos poucos na política em que não se deve cometer erros, porque nunca mais será possível corrigi-los", disse Orban na cidade de Nis, na Sérvia, onde se reuniu com o premiê do país, Aleksandar Vucic.

"Se, em alguma ocasião, eles (imigrantes) acreditam que a Hungria pode ser um país de destino, no qual podem entrar sem controle, de forma ilegal e ilimitada, a espera de uma vida boa, eles nunca vão deixá-la", afirmou o premiê húngaro, que advertiu que a chegada de imigrantes em massa muda a vida de um país.

"E nossos filhos e netos nos perguntarão por que permitimos que eles mudassem nossos países, a Europa, a cultura, a composição étnica da Hungria, a forma de pensar e a segurança na Hungria, por que permitimos que a situação ficasse pior. E aí? O que responderíamos?", questionou Orban.

"Não devemos trazer para cá os problemas, mas devemos levar ajuda a seus países, e a Hungria fará o possível para que cada imigrante na Europa possa retornar a sua pátria", declarou o político húngaro.

Além disso, Orban reiterou sua rejeição à proposta da UE de distribuir contingentes de refugiados através de cotas entre todos os 28 países do bloco.

"Queremos controlar a situação, nossas vidas, não aceitamos o ditado de Bruxelas quando querem nos dizer que devemos viver desta maneira ou de outra. Isto é inaceitável", opinou o primeiro-ministro.

A Hungria ergueu em 2015 uma cerca na fronteira com a Sérvia para conter a passagem de refugiados e, em seguida, outros países da rota dos Bálcãs também fecharam suas fronteiras.

Apesar disso, várias pessoas, mas não tantas como no ano passado, continuam chegando à região ao fugirem dos conflitos no Oriente Médio e em outras regiões, com a esperança de que poderão seguir caminho para obter asilo no norte da Europa.

Segundo dados oficiais, na Sérvia há, por enquanto, mais de 5 mil refugiados em centros de acolhimento e outros 1.300 fora dos mesmos.

Duas semanas atrás, a Hungria passou a permitir a passagem de apenas 400 imigrantes vindos da Sérvia por mês, um número duas vezes menor do que antes.

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