Japão respira aliviado após novo forte terremoto e tsunami em Fukushima

Antonio Hermosín.

Tóquio, 22 nov (EFE).- O Japão respira aliviado nesta terça-feira após o forte terremoto e o tsunami que afetaram a mesma região do país castigada pela tragédia que em 2011 destruiu a usina nuclear de Fukushima, sem que desta vez tenha sido registrado danos.

O país amanheceu hoje assustado pelas notícias sobre o forte terremoto de magnitude 7,4 graus na escala Richter e pelo alerta de tsunami de até três metros de altura.

O tremor ocorreu às 5h59 locais (18h59 de ontem em Brasília), com epicentro no mar e a 25 quilômetros de profundidade, muito perto do litoral de Fukushima. Segundo a Agência Meteorológica do Japão, se tratava de uma réplica do grande terremoto de março de 2011.

As autoridades ativaram o alerta de evacuação do litoral da província diante da possível chegada do tsunami e todas as atenções estavam sobre as usinas de Fukushima Daichi (número 1), parcialmente destruída em 2011, e da número 2, que permanece desativada.

A imprensa japonesa divulgou impactantes imagens gravadas a partir de helicópteros em diferentes pontos dos litorais leste e nordeste do país, que mostravam com clareza grandes ondas se aproximando da costa, batendo contra o dique instalado em frente à Fukushima 1 e revertendo o curso de rios.

Ondas de um metro chegaram ao ponto da costa onde está a usina destruída em 2011, mas não foram registrados incidentes de qualquer tipo, segundo a operadora Tokyo Eletric Power (Tepco).

Fukushima 1 está imersa em um complexo processo de desmantelamento que poderia se alongar até quatro décadas após sofrer fusões parciais em três de seus reatores pelo tsunami com ondas de até 13 metros que atingiram a região em março de 2011.

Já em Fukushima 2, o tremor causou a paralisação de uma bomba do sistema de refrigeração da piscina de combustível gasto de um dos reatores, embora os operários da Tepco tenham conseguido ativar um sistema auxiliar 90 minutos depois, evitando emissões radioativas.

"É a primeira vez desde o grande terremoto de 2011 que suspendemos um de nossos sistemas operacionais nas centrais de Fukushima", afirmou em entrevista coletiva Naohiro Massouda, responsável da Tepco para descontaminação e desmantelamento das usinas.

Também foi a primeira vez desde dezembro de 2012 que as autoridades japonesas iniciaram um alerta de tsunami devido a uma réplica do terremoto de 2011. Durante as seis horas que o aviso se manteve ativo, 11 cidades foram evacuadas, a maioria na província de Fukushima. Mais de 13 mil pessoas deixaram suas casas e foram para refúgios, muitas delas com a lembrança da tragédia de 2011.

"Podemos atuar com calma graças ao que tínhamos vivido no grande terremoto de 2011", disse Kazunori Yoshida, um pescador de 65 anos que levou seu barco às docas após ouvir os alarmes de tsunami enquanto trabalhava, em entrevista à agência "Kyodo".

O terremoto também foi sentido com intensidade em outras cidades do país. Um total de 17 pessoas ficou ferida por quedas e acidentes domésticos nas províncias de Fukushima, Miyagi, Tóquio e Chiba, três delas em estado grave, de acordo com dados do Departamento de Controle de Desastres do Japão.

O tremor também causou o cancelamento de cerca de 20 voos, paralisação temporária do funcionamento da linha de trem de alta velocidade da região de Fukushima, o fechamento de 300 colégios e um incêndio em um complexo petroleiro na cidade de Iwaki.

Nas horas posteriores ao terremoto, foram registrados mais de 20 tremores de pelo menos 4 graus na escala Richter. A Agência Meteorológica do Japão alertou sobre possíveis fortes réplicas durante a próxima semana.

O Japão é localizado sobre o chamado Círculo de Fogo do Pacífico, uma das zonas sísmicas mais ativas do mundo, e sofre terremotos com relativa frequência, por isso as infraestruturas são projetadas para aguentar os tremores.

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