Manhattan sofre com "filial" da Casa Branca em plena Quinta Avenida

Lara Malvesí.

Nova York, 22 nov (EFE).- Se a atriz Audrey Hepburn quisesse repetir nesta semana a clássica cena do filme "Bonequinha de Luxo" nesta semana, na qual observa a vitrine da Tiffany's da Quinta Avenida com a rua 57, em Nova York, teria dificuldades de chegar à joalheira, rodeada por uma cerca dupla e vários agentes federais.

A avenida mais luxuosa de Manhattan, especialmente na altura entre as ruas 55 e 57, tem sofrido desde o fim das eleições no país com o fato de compartilhar o código postal com a Trump Tower, transformada na sede de operações da transição para a Casa Branca, local onde vive o presidente eleito do país, Donald Trump.

Taxistas e moradores já se acostumaram a evitar a região da cidade, repleta de lojas de luxo e turistas, próxima tanto à entrada sul do Central Park como ao Museu de Arte Moderna (MoMA).

A Polícia de Nova York e o serviço secreto anunciaram na sexta-feira o fechamento do trânsito na rua 56 entre a Quinta Avenida e a Madison, uma restrição que poderia se estender a um perímetro maior ao longo do mandato, sempre que o presidente decida voltar a Trump Tower.

"É um grande desafio e sem precedentes, mas não há cidade com mais capacidade para superá-lo", disse o prefeito de Nova York, Bill de Blasio, depois da decisão da polícia de fechar o trânsito.

Dois postos de segurança de ambos os lados do quarteirão onde está a Trump Tower alertam aos que queiram atravessar a calçada de que eles podem estar sujeitos a revistas em qualquer momento.

Uma responsável pela joalheira Piaget, que fica a próxima a Trump Tower, disse à Agência Efe que a loja não recebe nem metade dos clientes que iam ao local antes das eleições. "Não acredito que isso compense de modo algum", disse, sem querer se identificar.

A quantidade de agentes é tão grande que a maioria dos pedestres evita a rua e não passam nem perto da torre que parece totalmente fechada. Porém, não é difícil entrar no edifício. Basta passar por uma revista relativamente simples: apenas mostrar o que se está levando nos bolsos. Casacos, por exemplo, não precisam ser tirados.

Dentro da própria Trump Tower foi montada uma região exclusiva para jornalistas em frente aos elevadores. A abertura das portas desperta grande expectativa sobre quem irá aparecer, já que sobem e descem os futuros homens do governo Trump, além de outras personalidades que se reúnem com o magnata.

Por outro lado, algumas pessoas, a maioria parte de famílias de norte-americanos que está visitando Nova York, querem não só tirar fotos do lado de fora da Trump Tower, mas também querem comer no restaurante do edifício ou beber algo no bar. Há outros que preferem adquirir uma camisa ou uma lembrança com a marca do empresário.

Lindsey e Jacob, um casal de Arkansas, comeram um hambúrguer no Trump Grill usando seus bonés vermelhos com a mensagem "Make America Great Again", lema da campanha do presidente eleito. Eles estavam em Nova York para visitar a filha que estuda na cidade e aproveitaram para se aproximar da torre do candidato no qual votaram.

"Certamente que votamos nele. Os EUA têm que se parecer como essa torre dourada, para que o dinheiro flua outra vez como se fosse uma grande empresa", defendeu Jacob em entrevista à Efe.

Do lado de fora da Trump Tower, ainda é possível ver alguns dos que protestam contra a eleição. Um homem ainda vende placas com a mensagem "Not my president" (Não é meu presidente), um dos gritos que ganhou as ruas na voz dos que ainda não digeriram a vitória do republicano em Nova York, uma cidade de tendência democrata, apesar de o próprio Trump ter nascido no bairro do Queens.

Os turistas transformaram o local em uma parada obrigatória que ainda não consta nos guias da cidade. Marco, um colombiano de visita Nova York, acha que Trump foi uma "má escolha", mas, mesmo assim, quis tirar uma selfie em frente ao prédio para enviar aos amigos.

A partir do dia 20 de janeiro, Trump começará a viver na Casa Branca, mas espera-se que ele faça viagens recorrentes a sua luxuosa casa nova-iorquina, o que promete se transformar em um pesadelo tanto para o trânsito já complicado de Manhattan como para o serviço secreto, que protege o presidente.

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