Primeira estatística alemã de violência de gênero revela 331 mortes em 2015

Berlim, 22 nov (EFE).- Um total de 331 mulheres morreram no ano passado pelas mãos de seus companheiros ou ex-companheiros na Alemanha, segundo revela a primeira estatística sobre violência de gênero apresentada nesta terça-feira pelo governo alemão.

"Necessitamos destes números porque nos ajudam a fazer visível a violência doméstica", declarou em entrevista coletiva a titular de Família, Manuela Schwesig, ao se referir aos "estremecedores números", que falam de mais de 104 mil mulheres agredidas por seus companheiros em 2015.

No total, 49% das mulheres vítimas de violência de gênero viviam com seus companheiros no momento da agressão, precisa o relatório.

A ministra ressaltou que "a violência doméstica contra mulheres, contra homens e contra crianças não é um assunto privado", mas constitui "um crime, e como tal deve ser perseguido", e exige a envolvimento de toda a sociedade.

A estatística elaborada, acrescentou, contabiliza só os casos de violência de gênero registrados pela Polícia, mas é preciso assumir a existência de um número considerável de agressões não denunciadas e nem conhecidas.

Entre as denúncias com as mulheres como vítimas, a polícia contabilizou no ano passado mais de 65,8, mil casos de lesões físicas leves e mais de 11,4 mil graves, mais de 16,2 mil ameaças e mais de 7,9 mil situações de assédio, além das 331 vítimas mortais.

O relatório, que estuda a evolução destes crimes desde 2012, se refere, além disso, aos homens vítimas de agressões no casal, que representam 18% dos 127.457 casos registrados.

No ano passado morreram na Alemanha 84 homens vítimas de maus-tratos no âmbito do casal, segundo esta estatística.

A violência doméstica "não é um tema marginal, mas se produz no meio de nossa sociedade", acrescentou a ministra de Família, que ressaltou a necessidade de romper com o tabu que representa para muitos falar deste tipo de agressões.

Segundo explicou o presidente do Escritório Federal de Investigação Criminal (BKA), Holger Münch, "a violência contra as mulheres tem muitas caras".

"Nesta primeira avaliação dos casos registrados na polícia, pudemos determinar que (esta violência) vai desde formas sutis como humilhação, insultos e intimidação, abusos psicológicos, físicos e sexuais, até estupros e homicídios", manifestou.

Münch reconheceu que "as vítimas de violência doméstica com frequência não veem nenhuma solução para sua situação, não são percebidas e não se fazem notar".

"Nenhuma mulher deve pensar que está sozinha com seu problema. Devem saber que há uma saída", disse a ministra Schwesig ao lembrar o telefone de atendimento às vítimas de violência contra as mulheres criado há três anos e que presta assessoria de maneira gratuita e anônima 24 horas do dia e em 15 idiomas.

A situação é ainda mais dramática quando há menores que sofrem de maneira direta ou indireta estas agressões no lar e que as entendem como um meio para a solução de conflitos, advertiu o presidente da BKA, que dosse que "a violência é algo que se aprende".

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