China espera que EUA vejam "espírito antichinês" nos planos de Dalai Lama

Pequim, 23 nov (EFE).- A China disse nesta quarta-feira que espera que outros países, em alusão aos EUA, possam ver o espírito "antichinês" dos planos de Dalai Lama e "tramitar de forma adequada" sua resposta, depois que o líder espiritual mostrou disposição hoje na Mongólia a se reunir com o presidente eleito americano, Donald Trump.

"Dalai Lama se apresenta como um líder religioso, mas ao invés de ficar em um templo, viaja ao redor do mundo se reunindo com líderes estrangeiros e tentando minar as relações entre China e outros países", ressaltou hoje um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, em entrevista coletiva em Pequim.

Geng respondeu assim à pergunta de um jornalista sobre como a China lida com as palavras de Dalai Lama ditas hoje em Ulan Bator, a capital da Mongólia, onde realiza uma visita de vários dias, que estava disposto a visitar Trump nos Estados Unidos.

Como era de esperar, este comentário do Dalai Lama, cuja visita à Mongólia já despertou ira da vizinha China, não agradou Pequim, e o porta-voz ministerial lhe acusou de "se esconder na religião para empreender atividades antichinesas no exterior".

"Esperamos que os países envolvidos possam ver a natureza antichinesa destas ações e tramitar de forma adequada o assunto", reforçou.

Geng enfatizou que a visita à Mongólia, país de profunda tradição budista, "menosprezou a base política das relações entre ambos países, e teve um impacto negativo em nossas relações bilaterais".

Segundo alguns veículos de imprensa mongóis, Pequim teria cancelado vários diálogos e encontros com o governo da Mongólia nos próximos meses, em resposta à visita do Dalai Lama, exilado em Dharamsala (Índia) desde 1959 e a quem a China acusa de instigar a separação da região autônoma do Tibete.

Por sua vez, o Ministério das Relações Exteriores da Mongólia afirmou em comunicado divulgado na semana passada pela agência de notícias do país "Montsame" que o governo não tinha tido nada a ver com a visita, administrada por associações budistas.

Apesar disso, Pequim poderia tomar medidas contra Ulan Bator, que procura obter um importante pacote financeiro da China para sair da recessão econômica.

Em 2006, após uma visita do Dalai Lama, a China cancelou temporariamente os voos entre ambas capitais.

Em 2002, as medidas foram mais drásticas e, após uma viagem do líder budista, a China fechou durante um período a fronteira entre ambos países.

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