Líder guerrilheiro acredita que desarmamento custará muitas vidas às Farc

Bogotá, 25 nov (EFE).- O principal líder das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", declarou nesta sexta-feira que "o mais provável" é que muitos integrantes da guerrilha sejam assassinados quando se desmobilizarem e deixarem as armas como parte do acordo de paz assinado com o governo colombiano.

"Tomara não tenhamos que fazer um balanço e dizer: 'a paz na Colômbia nos custou tantas mortes'. Agora, o mais provável é que muitos ficaremos pelo caminho", disse "Timochenko" em um encontro em Bogotá com agências internacionais.

No entanto, o líder das Farc, que na quinta-feira assinou o novo acordo de paz junto ao presidente colombiano, Juan Manuel Santos, disse que além dos possíveis assassinatos "o importante é gerar um impulso que não se possa parar e impulsionar a saída política" ao conflito armado que vive o país.

Em referência aos assassinatos de vários líderes sociais em diferentes pontos do país nas últimas semanas, o líder da guerrilha disse que já sabia que "este tipo de situação ia acontecer" e considerou "muito possível que aumente".

"Timochenko" afirmou que tem "alertado muito" aos guerrilheiros e simpatizantes para que "não se deixem provocar", mas indicou que esse é "justamente o desafio" que enfrentam e pediu à comunidade internacional que tenha um "papel proativo".

O assassinato de militantes de esquerda e guerrilheiros desmobilizados começou nos anos 80 com o genocídio da União Patriótica (UP), partido surgido em 1985 de um frustrado processo de paz com o governo colombiano da época que, segundo algumas fontes, resultou cinco mil mortes.

Perguntado sobre os recursos com os quais contam, e que deverão entregar para reparar as vítimas com base no acordo de paz que foi assinado entre o governo e as Farc, "Timochenko" negou que os guerrilheiros sejam "um grupo de narcotraficantes".

Além disso, comentou que se fossem teriam desaparecido "há muito tempo" e considerou "um conto" as acusações feitas pelo ex-presidente Álvaro Uribe, que os considera "o terceiro cartel do narcotráfico" do mundo, segundo lembrou.

Sobre a quantia do "patrimônio" das Farc, e que teria sido usado para manter a guerrilha em guerra, o líder reconheceu que não sabe o valor com precisão e que "precisa fazer contas".

O líder guerrilheiro também reiterou o pedido que fez na quinta-feira no discurso que pronunciou no Teatro Colón de Bogotá, após a assinatura do acordo de paz, de um "governo de transição" integrado pelas forças que apoiam o processo.

Esse governo deve garantir o processo iniciado e não pode oferecer "resistência" a nenhuma das partes, argumentou Timochenko, que não deu nomes sobre quem poderia estar à frente dessa Administração e também não se pronunciou sobre que papel ele desempenharia nesse hipotético gabinete.

"Deve ser um governo de transição ao qual devem se somar todas as forças, setores de opinião e correntes da pátria que querem que a paz se consolide", acrescentou.

Na opinião do líder guerrilheiro, os opositores ao acordo de paz que são liderados por Uribe "já estão se posicionando" para as eleições presidenciais de 2018, por isso os partidários da paz devem começar "a falar" também.

"Eu não dou nomes, digo para buscarmos pessoas, unificarmos critérios, todos os que querem a paz precisam começar unificando critérios", analisou.

O governo enviou na quinta-feira ao Congresso o acordo assinado por Santos e "Timochenko" para que o Legislativo o referende e depois aprove as leis necessárias para sua implementação.

Segundo o presidente do Congresso, senador Mauricio Lizcano, o debate do acordo de paz na câmara alta começará na próxima terça-feira e no dia seguinte será iniciado na Câmara dos Representantes.

O mais provável, com base nas maiorias que o governo possui no Congresso, é que o acordo seja referendado na próxima semana.

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