Pesquisa revela que 97% das argentinas já sofreram algum tipo de assédio

Buenos Aires, 25 nov (EFE).- O Primeiro Índice de Violência Machista na Argentina divulgado nesta sexta-feira revela que 97% das mulheres no país admitiram ter sofrido assédio em espaços públicos e privados, e que nove de cada dez mulheres maiores de 13 anos disseram que já se sentiram estigmatizadas por seu gênero.

O índice, elaborado como parte da campanha 'Ni Una Menos'("Nem Uma a Menos", tradução livre), foi feito com base em questionários aplicados neste ano a 59.380 mulheres maiores de 13 anos de todo o país.

"Na Argentina, durante outubro de 2016, foram 21 feminicídios em 23 dias. E 170 entre janeiro e outubro. Esses números só confirmam a urgência e a enorme dimensão que representa o problema da violência machista na sociedade. Esta pesquisa também confirma isso", afirmou o relatório.

O estudo ressalta que, para a elaboração do levantamento, intitulado "A Argentina Conta a Violência Machista", foram medidas 15 dimensões diferentes de violência contra as mulheres e que, em nenhuma delas, o índice "fica abaixo de 47% de incidência de, pelo menos, uma situação vivencidada" pelas mulheres.

O valor mais alto do índice, que é divulgado no Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, foi registrado no assédio em espaços públicos e privados, a violência cotidiana e mais naturalizada, já que 97% das mulheres que responderam ao questionário afirmaram que experimentaram pelo menos uma vez alguma dessas situações.

Além disso, 92% das entrevistadas disseram ter sofrido, pelo menos uma vez, alguma situação na qual se sentiram estigmatizadas somente pelo fato de serem mulheres, e 84% disseram que foram vítimas de discriminação pelo mesmo motivo.

O relatório também aponta que oito de cada dez mulheres garantiram ter passado, pelo menos uma vez, por uma situação de violência obstétrica vinculada com a gravidez e o parto, por exemplo, ao terem sido desqualificadas e ridicularizadas por profissionais de saúde.

Em relação a seus parceiros, 95% das argentinas revelaram terem vivido uma situação, atitude ou tentativa, de isolamento por parte de seu companheiro, por exemplo, ciúmes, ou que foram questionadas por suas atividades e amizades. Além disso, 84% relataram terem sido objeto de situações de controle por parte de seus parceiros.

Entre as entrevistadas, nove de cada dez afirmaram que se sentiram desvalorizadas por seus parceiros, 76% receberam ameaças e intimidações e 86% disseram que, pelo menos um vez, sofreram maus-tratos não necessariamente físicos por parte de seus companheiros.

Além disso, 56% afirmaram que foram vítimas de abuso emocional por parte de seus parceiros, 67% sofreram maus-tratos físicos e seis de cada dez mulheres indicaram que essas situações incluíram violência contra os filhos por parte de seus companheiros.

Da mesma maneira, 63% das entrevistadas disseram que foram vítimas de uma situação de violência sexual por parte de seus companheiros e que cinco de cada dez mulheres sofreram situações nas quais se sentiram violentadas em sua liberdade reprodutiva, por exemplo, ao terem sido obrigadas a não tomar anticoncepcionais ou a abortar.

Por outro lado, 47% das consultadas disseram que experimentaram "violência econômica" por parte de seus companheiros como, por exemplo, terem sido ameaçadas a serem abandonadas sem dinheiro.
 

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