Israel prende suspeitos de incêndios, mas evita falar em terrorismo

Jerusalém, 30 nov (EFE).- Israel continuou nesta quarta-feira detendo suspeitos de ter instigado, provocado ou tentado provocar incêndios intencionalmente, mas as autoridades evitaram referir-se a esses incidentes como "terrorismo", como fez no final de semana o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Segundo informou à Agência Efe o porta-voz policial Micky Rosenfeld, neste momento "há 24 pessoas detidas, nenhuma delas judia, que estão direta ou indiretamente relacionadas com os incêndios que foram provocados deliberadamente".

Além disso, nesta manhã foram detidas outras duas pessoas na região de Jerusalém, quando tentavam atear fogo em várias áreas de Atarot, no nordeste da cidade.

"Tentaram atear fogo com madeira e pneus e, após uma curta perseguição, foram detidos", detalha um comunicado policial, que acrescenta que os suspeitos "têm 16 anos, estão sendo interrogados e serão transferidos a um tribunal".

Sobre os detidos em relação a incêndios comprovadamente propositais, Rosenfeld afirmou que "as investigações continuam em diferentes ritmos porque estão acontecendo em diversas partes de Israel".

O porta-voz policial evitou classificar os incêndios provocados como atos de terrorismo.

"Se são atos terroristas isso será determinado pelo Ministério do Interior quando terminarem as investigações, mas podemos dizer que há incêndios propositais", destacou.

Após a intensificação no fim de semana passado da onda de incêndios e da multiplicação de seus focos, Netanyahu afirmou que muitos foram provocados e que Israel enfrentava "uma onda de terrorismo incendiário".

Se esta afirmação for confirmada, obrigará o Estado a arcar com o pagamento de bilhões de dólares para compensar os proprietários que perderam seus lares, veículos e outros bens.

A Autoridade de Bombeiros, no entanto, rejeitou essa posição, informou hoje o jornal "Haaretz", que acrescenta que fontes oficiais estimam que do total de 1.773 incêndios, 25 foram provocados.

Segundo o jornal, dos 27 detidos (vários deles já libertados), 13 são palestinos da Cisjordânia e outros 16 árabes com nacionalidade israelense, entre eles seis menores.

A maioria dos afetados pelos incêndios se encontra ao redor de Jerusalém e na cidade de Haifa, onde alguns bairros foram devorados pelas chamas.

A multiplicidade e gravidade dos incêndios obrigou Israel a pedir ajuda na semana passada a vários países da região, entre eles Turquia, Croácia, Rússia, Itália, Chipre e Grécia, que enviaram aviões para participar dos trabalhos de extinção.

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