Bolívia suspende licença da Lamia e afasta autoridades de aviação do país

La Paz, 1 dez (EFE).- O governo da Bolívia decidiu retirar nesta quinta-feira a permissão de operações da companhia aérea Lamia e afastou as autoridades do setor de aviação civil do país de suas funções, enquanto são investigadas as causas que levaram a permitir o decolagem do avião que transportava a delegação da Chapecoense e caiu na segunda-feira na Colômbia.

A decisão afeta as principais autoridades da Direção Geral de Aviação Civil (DGAC) e da Administração de Aeroportos e Serviços Auxiliares à Navegação Aérea (AASANA), anunciou em entrevista coletiva o ministro de Obras Públicas, Serviços e Habitação, Milton Claros.

"Não estamos responsabilizando ninguém, mas enquanto as investigações durarem, consideramos conveniente que os executivos sejam afastados de suas funções", disse Claros.

A DGAC é encarregada da supervisão técnica das aeronaves e AASANA é quem aprova os planos de voo.

Além disso, o Ministério boliviano determinou duas investigações: uma sobre por que foi concedido à Lamia um certificado como operador aéreo e se a companhia cumpria todos os requisitos, e outra sobre o capital da empresa, seus acionistas e executivos.

Claros acrescentou que está supervisionando a investigação que a DGAC está fazendo sobre o acidente e "todos os eventos referidos às permissões concedidas" para que o avião decolasse na segunda-feira do aeroporto internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra.

Até o momento, segundo a autoridade boliviana, o Ministério não tem "a certeza de qual foi a falha precisa" da aeronave da Lamia, cujo acidente resultou na morte de 71 pessoas, entre elas quase todo o elenco da Chapecoense, dirigentes, convidados e jornalistas.

O Ministério disse que ainda espera as conclusões do relatório para tomar as ações pertinentes.

"Como governo, vamos aplicar todo o peso da lei quanto às responsabilidades, sempre e quando houver omissão das mesmas", afirmou Claros.

O ministro disse que investigará se, com efeito, há algum parentesco entre um dos executivos da Lamia, Gustavo Vargas Gamboa, e o diretor do Registro Aeronáutico Nacional da DGAC, Gustavo Vargas Villegas, que, segundo os veículos de imprensa, são pai e filho.

"Os resultados (do processo de investigação) mostrarão que tipo de relação existiu (entre DGAC e Lamia), parentescos, etc", comentou a autoridade.

Segundo o relatório divulgado hoje pelo jornal "El Deber", uma funcionária de AASANA, Celia Castedo, fez advertências acerca do plano de voo do avião da Lamia com pelo menos cinco observações pelas quais a aeronave não deveria ter decolado.

Sobre isso, o ministro disse que não existe "uma notificação até o momento" sobre o citado relatório e comentou que os veículos de imprensa estão fazendo muitas especulações.

A principal observação do relatório publicado na imprensa se refere ao tempo de voo previsto - 4h22min - entre Santa Cruz e o aeroporto de Medellín, na Colômbia, que era o mesmo registrado para a autonomia de combustível do avião.

Diante dessa observação, o ministro detalhou que esse mesmo avião, apesar de ser um jato regional, já tinha feito outros voos internacionais e tinha a "obrigação" de estabelecer um ponto intermediário para reabastecer.

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