Putin oferece a Trump uma aliança contra o terrorismo internacional

Ignacio Ortega.

Moscou, 1 dez (EFE).- O chefe de Estado da Rússia, Vladimir Putin, fez uma oferta nesta quinta-feira ao presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, para normalizar as relações entre ambos os países e forjar uma aliança contra "uma ameaça real e não imaginária: o terrorismo internacional".

"Confiamos em unir forças com os EUA na luta contra uma ameaça real e não imaginária: o terrorismo internacional", disse Putin durante o discurso sobre o estado da nação diante de ambas as câmaras do parlamento.

Putin destacou que "essa tarefa já está sendo cumprida" pelos soldados russos na Síria, aos quais louvou por sua "coragem" na luta contra os jihadistas desde setembro de 2015, entre os aplausos dos presentes na sala de São Jorge do Kremlin.

O chefe de Estado russo assegurou que o Kremlin não está interessado em "antagonismos", "nem busca inimigos" e quer manter relações com os EUA "em um plano de igualdade".

"A cooperação entre Rússia e EUA na solução de problemas globais e regionais responde aos interesses de todo o mundo. Temos uma responsabilidade comum na hora de garantir a segurança e a estabilidade internacional", afirmou Putin.

O líder russo estendeu suas mãos para Trump justo quando o exército sírio conseguiu reconquistar quase a metade dos bairros do leste de Aleppo que estavam sob controle jihadista, o que permitiu que 30 mil pessoas pudessem deixar a cidade após vários meses de cerco.

Segundo os especialistas, Síria e Rússia querem acabar com a resistência jihadista antes que Trump assuma o cargo em janeiro.

O chefe do Kremlin retornou à ONU em setembro de 2015, após dez anos de ausência, para oferecer aos EUA uma ampla frente internacional contra o terrorismo na Síria, mas a Administração de Barack Obama rejeitou a oferta.

Ontem mesmo, Putin também pediu explicações ao presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, por suas afirmações de que havia ordenado a entrada de tropas turcas na Síria com o objetivo de derrubar o regime de Bashar al Assad.

"Por que entramos na Síria? Entramos para acabar com a soberania do cruel Assad", afirmou nesta semana o líder turco.

Putin, cuja aviação suspendeu seus bombardeios contra Aleppo em 18 de outubro, ordenou esta semana que fossem montados hospitais de campanha nas imediações de Aleppo e o envio de equipes especiais à região para remover as minas dos bairros libertados pelas tropas governamentais.

O presidente russo lembrou que "qualquer tentativa de se romper a paridade estratégica é algo extremamente perigoso e pode levar a uma catástrofe global".

"Não podemos esquecer disto nem um segundo", insistiu Putin.

Quanto à União Europeia (UE), o líder russo se mostrou disposto a entabular um diálogo para a criação de uma associação eurasiática que se estenderia do enclave báltico de Kaliningrado ao porto de Vladivostok, no Oceano Pacífico.

Putin também destacou o interesse estratégico da Rússia em fortalecer sua cooperação com os países da Ásia, em particular China e Índia, mas negou que isso esteja relacionado com o "esfriamento das relações com os EUA e a UE".

Contudo, a maior parte do discurso esteve focado em assuntos da política nacional russa, mas Putin não chegou a antecipar se concorrerá à reeleição no pleito presidencial previsto para março de 2018.

"Os últimos anos não foram fáceis, mas isto nos fez mais fortes", disse Putin, que reconheceu que as principais causas das dificuldades econômicas que o país atravessa são de caráter interno, e não estão relacionadas com as sanções ocidentais.

Após dois anos de profunda recessão, o líder russo previu um crescimento da economia para o próximo ano, que se beneficiará, segundo especialistas, do acordo de redução da produção de petróleo fechado ontem pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

Putin também pediu que seu governo elaborasse para maio um plano que permita à Rússia alcançar um ritmo de crescimento superior à média mundial no final desta década, já que, devido à crise, este ano o número de pobres no país chegou a 20 milhões.

Putin destacou que os russos se uniram nos últimos anos em torno de "valores patrióticos", o que permitiu conseguir um estado de união nacional e evitar "a anarquia", "os cismas e as crises" que afetam inclusive os países mais desenvolvidos, como é o caso das ondas migratórias.

Além disso, o líder russo convidou, faltando pouco meses para o 100º aniversário da Revolução Bolchevique de 1917, que se extraiam lições da turbulenta história russa para não retornar às barricadas e ao "inflamado" antagonismo do passado.

"Lembremos que somos um povo unido. Um único povo. E só existe uma Rússia", proclamou o presidente.

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