Referendo não é "sobre mim", defende primeiro-ministro da Itália

Roma, 1 dez (EFE).- O referendo convocado na Itália para 4 de dezembro sobre a reforma constitucional não é "sobre mim", disse nesta quinta-feira o primeiro-ministro, Matteo Renzi, que afirmou que ele não está "personalizando" a consulta.

"Este referendo não afeita a quem assina", declarou Renzi ao canal de televisão "SkyTG24", "mas sim as próximas gerações".

A reforma constitucional que, entre outras coisas, elimina a função legislativa do Senado, deverá ser referendada nessa consulta de domingo, uma reunião que é vista como crucial não só na parte legislativa, mas para o próprio governo, pois Renzi ameaçou renunciar se não for aprovada.

"Eu sou muito menos importante que a reforma constitucional", insistiu Renzi, que vinculou inicialmente o resultado do referendo à continuidade à frente do Executivo, embora posteriormente lamentou ter feito essa relação.

E respondeu à rejeição do Movimento 5 Estrelas (M5S) à reforma proposta personalizando seu líder, Beppe Grillo. "Ele teme que os eleitores votem com a cabeça".

"Os eleitores sabem que com o 'não' a casta fica", avaliou sobre esse conceito utilizado pelos líderes do M5S.

A reforma submetida à votação no domingo fará com que o Senado seja um ente de representação territorial e passará de 315 senadores a um máximo de cem que serão escolhidos pelos governos regionais e locais, e que não receberão salário, mas gozarão da imunidade parlamentar.

"No domingo com o 'sim' acaba a anomalia italiana", declarou Renzi a propósito de um sistema constitucional que permitiu a proverbial instabilidade política no país.

O sistema bicameral vigente e o atraso imposto na tramitação das leis é o alvo principal da mudança constitucional proposta pelo Executivo de Renzi, que deseja uma gestão mais ágil e que a Itália não seja conhecida pela lentidão das reformas que os diferentes governos tentaram levar adiante.

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