Ativistas cubanos asseguram que haverá mais repressão após morte de Fidel

Panamá, 1 dez (EFE).- Um grupo de defensores dos direitos humanos e jornalistas de Cuba expressaram na quinta-feira à Agência Efe que após a morte do líder cubano Fidel Castro, no último dia 25 de novembro, esperam um aumento das restrições à liberdade de expressão no país.

"A situação de repressão após a morte de Fidel continuou, mesmo com 9 dias de luto nacional, os agentes da polícia secreta bateram nas portas de jornalistas e ativistas para ameaçá-los, para que não saiam, caso contrário, serão presos", afirmou Roberto de Jesús Pérez, do grupo jornalístico "Hablemos Press".

O comunicador disse à Efe, que embora o ex-mandatário tenha desaparecido fisicamente, ficam no poder um grupo de militares do "castrismo" que se quer perpetuar no poder, além do atual presidente, Raúl Castro.

"Os poucos opositores e ativistas vão continuar suas atividades e os militares reprimindo a todo custo seus atos", previu.

Pérez pertence a um grupo de organizações que participou nesta quinta de uma audiência pública da 159 Sessão Ordinária da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), sobre a situação das pessoas defensoras dos direitos humanos em Cuba.

Embora o Estado cubano tenha sido notificado desta audiência, nenhum representante compareceu.

Pérez, que esteve preso e disse que continua recebendo ameaças de parte das autoridades da ilha, manifestou que nos últimos sete anos aconteceram cerca de 32 mil detenções por motivos políticos contra dissidentes e ativistas.

Ele considerou que essas situações se agravaram desde que Raúl Castro assumiu o poder de Cuba temporariamente em 2006.

O diretor-executivo do Instituto de Raça, Igualdade e Direitos Humanos, Carlos Quesada, disse à Efe que as situações são cada vez mais graves, ao ponto que a representante das Damas de Branco, Berta Soler, nunca foi ao Panamá por temer o que pudesse acontecer com seu filho na ilha, e que outra integrante do grupo, Laritza Diversent, não pôde ser contatada nas duas últimas semanas.

Ele advertiu que enquanto mais denúncias são feitas pelos defensores contra Cuba em nível internacional, maior é a repressão que enfrentam quando retornam ao seu país, por isso pediu para CIDH se pronunciar abertamente sobre qualquer tipo de represálias que podem receber por viajar ao Panamá.

Quesada disse que as autoridades desprestigiam injustificadamente os defensores, afirmando que são patrocinados por órgãos internacionais, que são mercenários, de extrema-direita ou agentes da Agência Central de Inteligência (CIA).

Além disso, sustentou que o sistema penal cubano esta projetado pelo regime para não permitir nenhum tipo de críticas às autoridades.

"Cuba usa artigos do Código Penal para processar ativistas e jornalistas (...), seguem acontecendo grandes restrições à liberdade de imprensa quando os veículos de imprensa são críticos", lamentou.

Durante a audiência pública, o comissário da CIDH, Enrique Gil Botero, expressou que "é extremamente alarmante que depois das intervenções que tiveram os defensores, tenham acontecido represálias. Essa é uma atitude muito grave e delicada".

Além disso, também pediu para proteger e defender a "visão sagrada" dos defensores de Cuba e de qualquer país.

As audiências públicas da CIDH servem para obter informação sobre os casos que se refere o órgão, sem que se possam tomar decisões de forma imediata, e escutar aos Estados e às organizações da sociedade civil sobre diferentes temas que querem expor.

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