Dezenas de meninas se refugiam em 2 colégios do Quênia para evitar mutilação

Nairóbi, 2 dez (EFE).- Pelo menos 79 meninas se refugiaram em dois colégios do Quênia a fim de evitar o retorno para casa durante as férias por temor de sofrer mutilação genital, decisão que foi respaldada pelos diretores dos centros, informaram nesta sexta-feira meios de comunicação quenianos.

Trinta e sete menores ficaram em uma escola de primária de Nakwijit e outras 42 estão na de Kapkata, populações situadas no oeste do país nas quais segue sendo praticada a mutilação genital feminina, apesar de ser uma prática proibida pela legislação do país.

As meninas contam com o respaldo das autoridades locais e dos diretores de ambos centros que, apesar de estarem de férias, prometeram protegê-las.

Apesar dos esforços do Comitê Antimutilação e outras organizações, os casos de meninas obrigadas a se submeter à mutilação persistem, em muitos casos com resultado de morte por hemorragia.

"Dizem que vão realizar reuniões de oração e, no entanto, estão mutilando as meninas", explicou o prefeito de Ptoyo, Samuel Chemonorey, em declarações ao jornal "The Standard".

Milhares de meninas quenianas retornam nos meses de agosto e dezembro às cidades de suas famílias para passar as férias e então são mutiladas em rituais de iniciação na vida idade adulta que em muitos casos põem fim também à educação, já que a maioria delas são obrigadas a trabalhar ou se casar.

Esta não é a primeira vez que menores quenianas se escondem em centros escolares por medo, já que no ano passado pelo menos outras 50 meninas fizeram isso em Nginyang, também no oeste do país.

No Quênia, 37 dos 42 grupos étnicos retiram o clitóris de suas adolescentes após a chegada da menstruação, embora às vezes, dado que as meninas estão cada vez mais informadas, a ablação é antecipada para os 5 anos.

O país aprovou em 2011 uma lei que penaliza a ablação e criou o Comitê Antimutilação Genital Feminina, dotado de uma unidade judicial para castigar estas práticas que começou a trabalhar em 2015.

O Quênia conseguiu reduzir em 11% o número de adolescentes submetidas à ablação, o que o transforma em um dos países onde a prática tem maior taxa de abandono.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos