Norbert Hofer, um punho de aço em uma luva de seda

Viena, 2 dez (EFE).- O candidato ultradireitista à presidência da Áustria, Norbert Hofer - amante das armas, contrário à União Europeia e que diz defender "o povo comum" contra a "elite" -, gosta de se descrever como um moderado e, ao mesmo tempo, defender com um sorriso suas ideias xenofóbicas.

Hofer, de 45 anos, terceiro vice-presidente do parlamento, está em seu segundo casamento, tem quatro filhos e trabalhou como engenheiro em uma companhia aérea antes de iniciar, em 1994, sua carreira política no nacionalista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ).

Apesar de ser um dos ideólogos da legenda - é coautor de seu programa eleitoral -, até alguns meses atrás era pouco conhecido, mas, mesmo assim, conseguiu o maior êxito do FPÖ em sua história nas eleições do último dia 22 de maio.

Hofer obteve o apoio de quase metade do eleitorado em um pleito que foi vencido, com um diferença de apenas 30 mil votos, pelo candidato progressista Alexander Van der Bellen, o que representa o melhor resultado de seu partido.

As eleições foram depois impugnadas pelo FPÖ e canceladas por irregularidades de procedimento pelo Tribunal Constitucional - embora não por manipulação.

O sucesso de Hofer se baseia tanto em seu discurso plano como em suas formas educadas, o que contrasta com o tom agressivo de seu chefe de bancada, Heinz-Christian Strache.

O político soube explorar o mal-estar de parte da sociedade com a chegada de 120 mil refugiados desde o início de 2015 a um país de 8,8 milhões de habitantes.

Além disso, seu discurso contra "o sistema" funcionou com parte da sociedade cansada com o revezamento no poder entre conservadores e social-democratas desde 1945.

Na campanha, Hofer reiterou várias vezes o princípio de "Áustria e os austríacos primeiro", tanto para entrar no mercado de trabalho como para desfrutar de serviços sociais.

O candidato do FPÖ não hesitou também em vincular os refugiados com um suposto aumento da criminalidade e utilizou notícias de abusos sexuais e estupros em comícios para instigar seus eleitores.

Hofer, que caminha com ajuda de uma bengala desde um acidente de parapente em 2003, fala sem elevar a voz, apela às emoções e se define como um homem de centro-direita com sensibilidade social.

No entanto, muitos analistas consideram que a "face amável" do FPÖ é, na realidade, "um lobo em pele de cordeiro", "uma bomba de fumaça personificada" ou "um ator" que esconde suas verdadeiras intenções.

Stefan Petzner, um colaborador próximo do falecido líder histórico dos ultradireitistas austríacos, Jörg Haider, disse que seu mentor, que se moderou em seus últimos anos, jamais votaria em Hofer porque é radical demais e o descreveu como "uma bomba-relógio".

Hofer é membro de uma fraternidade universitária ultradireitista e pangermanista - Marko Germania zu Pinkafeld - que, em seu estatuto, define a República da Áustria como "uma ficção".

Há alguns meses, ele afirmou que 8 de maio, dia da capitulação do Terceiro Reich, "não foi um dia de alegria", e confessou que seu pintor favorito é Odin Wiesinger, que em algumas obras desenhou mapas da Grande Alemanha, na qual se inclui Áustria e Tirol do Sul, além de partes de República Tcheca e Polônia.

Em 2013, quando tomou posse de sua cadeira de deputado, apareceu na câmara com uma flor de centáurea na lapela de seu paletó, um símbolo utilizado pelos nazistas na Áustria quando, entre 1933 e 1938, seu partido estava proibido. Hofer disse que utilizou essa flor azul apenas como um símbolo europeu.

Em 2013, escreveu o prólogo de um livro de um político do FPÖ com visões reacionárias, como a de que o principal papel da mulher é a maternidade e de que a nação se fundamenta na origem étnica de sua população.

Essa obra critica o "multiculturalismo" e a "globalização" e assegura que o Ocidente caminha rumo à extinção devido à baixa natalidade e à imigração, que define como "larvas de vespa que devoram as lagartas por dentro lentamente".

Apesar das críticas, Hofer considerou recentemente que o conteúdo do livro era, "em geral, bom".

"O islã não é parte da Áustria", repetiu em várias ocasiões, além de alertar sobre a alta taxa de natalidade dos imigrantes para advertir: "Não quero que a Áustria seja um país islâmico".

Outra fobia de Hofer é a atual União Europeia, e por isso ele defende renacionalizar políticas assumidas pelo bloco, embora não tenha se mostrado abertamente a favor de deixá-lo.

No entanto, se após o 'Brexit' se potencializar um modelo federal ou se buscar uma maior integração, Hofer advertiu que estaria a favor de um referendo para consultar a população.

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