Apesar de proibição, partidos seguem em campanha para referendo na Itália

Javier Alonso.

Roma, 3 dez (EFE).- Defensores do "sim" e do "não" no referendo que será realizado amanhã na Itália ainda tentam convencer indecisos neste sábado, apesar da proibição de campanha oficial, em um dia marcado também por denúncias de possíveis fraudes na apuração.

O "dia do silêncio" previsto na legislação começou com o fim da campanha ontem, quando o primeiro-ministro do país, Matteo Renzi, pediu em Florença, na região central da Itália, apoio à reforma constitucional que decidiu submeter à aprovação popular.

Mas a imprensa continua, de certa forma, a divulgar os argumentos que apoiam o projeto de Renzi, considerado como vital para que o país avance. Há quem também siga publicando as críticas feitas pela oposição à proposta do primeiro-ministro.

As últimas pesquisas divulgadas na semana passada indicavam uma vitória do "não" por 55% dos votos, dez pontos percentuais à frente do "sim". No entanto, 25% dos eleitores se disseram indecisos.

O referendo chegou em um momento de especial preocupação na União Europeia (UE), onde o triunfo do "não" pode abrir uma crise de enorme impacto para o futuro após a vitória do "Brexit, a saída do bloco, no Reino Unido.

Os defensores do "sim" ganharam um apoio indireto do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, depois de o porta-voz da Casa Branca, Eric Schultz, ter dito que o líder, de forma geral, "respalda a agenda de reformas de Renzi".

A reforma da Constituição de 1948 proposta pelo primeiro-ministro prevê, entre outras coisas, o fim do "bicameralismo perfeito" na Itália, que garante as mesas responsabilidades e poder à Câmara dos Deputados e ao Senado, como elaborar leis e dar posse a governos.

A proposta exclui o Senado do processo legislativo e o transforma em uma câmara de representação territorial com menos membros, que não receberiam salários e seriam designados entre integrantes de juntas regionais e Prefeituras, mas como imunidade parlamentar.

"O 'sim' não reforça o governo, mas sim a Itália", disse Renzi no comício de encerramento da campanha na Piazza della Signoria, em Florença, um local que não costuma permitir esse tipo de evento.

Apesar de a campanha também ser proibida no "dia de silêncio", o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi concedeu hoje entrevista, divulgada por vários veículos de imprensa, em que rejeita a reforma de Renzi e insinuou que pode haver fraude na apuração.

"Temos uma tradição muito negativa nas votações. Em muitas ocasiões, os votos foram diminuídos pelo profissionalismo da fraude da esquerda", disse Berlusconi, inelegível até 2019 após ter sido condenado por fraude fiscal.

Nos últimos dias, o líder da Liga Norte e defensor do "não", Matteo Salvini, disse que os votos dos italianos residentes no exterior foram "cozinhados" nas embaixadas, também sugerindo fraude.

O aumento de 40% no registro dos votos de italianos que moram fora do país - quase 4 milhões - levantou suspeitas dos defensores do "não".

Os rivais de Renzi no referendo - praticamente todos os outros partidos, exceto o do primeiro-ministro - atacaram o chefe do governo por uma carta que ele enviou ao exterior para pedir o apoio dos italianos que residem fora do país.

Além disso, defensores dos dois lados estão divulgando mensagens nas redes sociais reforçando as propostas.

A votação começará amanhã às 7h locais (4h em Brasília) e as seções permanecerão abertas até às 23h (20h em Brasília). A expectativa é que 46,7 milhões de pessoas votem, além dos 4 milhões de italianos residentes no exterior.

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