Berlusconi fala de "profissionalismo da esquerda" em fraude eleitoral

Roma, 3 dez (EFE).- O ex-primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi, condenado por fraude fiscal, falou neste sábado sobre "o profissionalismo da esquerda" em fraude eleitoral um dia antes do referendo convocado pelo governo de Matteo Renzi.

"Temos uma tradição muito negativa nas votações. Em muitas ocasiões diminuíram votos pelo profissionalismo em fraude da esquerda", disse em entrevista publicada hoje pelo jornal "Corriere della Sera".

O líder conservador, inabilitado de concorrer a um cargo público até 2019 como consequência de uma sentença pronunciada em 2013, afirmou na entrevista que em 2006 a vitória "segura" de seu partido, Forza Itália (FI) "a meia-noite se transformou em derrota às três da madrugada".

Questionado sobre o fato de que naquele momento o responsável pelo Ministério do Interior e pela gestão do pleito realizado há dez anos ser exercida por um membro de FI, Giuseppe Pisanu, Berlusconi se limitou a dizer. "Nossos 200 mil votos de vantagem se transformaram em 24 mil em desvantagem".

Aquela acusação de fraude no pleito vencido pea coalizão de esquerda A União e que deu o governo a Romano Prodi foi amparada com pela própria FI e o Ministério do Interior confirmou que o número de cédulas de voto de atribuição duvidosa foi insuficiente para mudar o resultado eleitoral.

A Justiça arquivou, além disso, a investigação aberta por suposta fraude naquele pleito.

Hoje Berlusconi, na entrevista a "Corriere della Sera", persistiu em sua suspeita de fraude na jornada de reflexão. "A esquerda tem muitos mais representantes que nós nos 'comuni' (governos locais): basta um lápis ou um batom para invalidar um voto que não gosta".

A alusão do ex-primeiro-ministro se acrescenta às feitas nos últimos dias por outros políticos, como o líder da xenófoba Liga Norte, Matteo Salvini, que disse que os votos dos italianos residentes no exterior foram "cozinhados" nas Embaixadas.

Inclusive o ex-primeiro-ministro e companheiro de partido (Partido Democrata, PD) de Renzi, Massimo d'Alema, contribuiu às suspeitas sobre manipulações de voto dos italianos do exterior ao qualificar de "rareza" que seja permitida a participação em eleições de quem "não trabalha e nem paga impostos" na Itália.

No domingo os italianos estão chamados a votar em referendo -para o qual as últimas pesquisas deram uma vantagem de dez pontos aos partidários do "não"- para uma reforma constitucional sugerida por Renzi e que, entre outras disposições, elimina a função legislativa do Senado.

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