Familiares de deputados colombianos assassinados em 2007 perdoam as Farc

Cali (Colômbia), 3 dez (EFE).- Os familiares dos 11 deputados colombianos do departamento de Valle del Cauca (sudoeste) sequestrados em 2002 e assassinados cinco anos depois aceitaram neste sábado o pedido de perdão das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Nossos parentes estão vivos no amor que transformou nosso coração de 14 anos de ódio em um amor suficiente para perdoar seus assassinos", disse Jhon Jairo Hoyos, filho do deputado morto Jairo Hoyos.

Os 12 deputados de Valle del Cauca foram sequestrados em Cali no dia 11 de abril de 2002 por um grupo de guerrilheiros.

Os políticos ficaram cinco anos cativos, até que em 28 de junho de 2007 as Farc anunciaram que em uma ação de "fogo cruzado" 11 dos legisladores morreram, enquanto Sigifredo López foi o único sobrevivente.

Dois anos depois, em 5 de fevereiro de 2009, a guerrilha libertou a López, que em 2012 foi detido por ordem da Procuradoria Geral colombiana por supostamente ter colaborado no sequestro e assassinato de seus companheiros.

No entanto, quatro meses depois López foi exonerado das acusações.

A atividade deste sábado aconteceu na igreja de San Francisco, situada perto da sede da Assembleia Departamental de Valle del Cauca, onde aconteceu o sequestro, e foi presidida pelo arcebispo de Cali, monsenhor Darío Monsalve.

Jorge Torres Victoria, conhecido como "Pablo Catatumbo", foi o porta-voz das Farc no ato no qual se projetou um vídeo com as imagens e os perfis dos deputados.

"Esperamos que o futuro permita sanar as feridas e construir uma nação mais justa para todos os colombianos", afirmou Jorge, vestido de branco como os demais presentes.

Durante seu discurso, "Catatumbo" reconheceu que as Farc têm consciência "da profunda dor que causaram aos familiares" das vítimas.

O líder guerrilheiro aproveitou para dizer que "Sigifredo jamais foi militante, simpatizante ou colaborador e o ocorrido contra ele não são outra coisa a não ser uma vitimização absurda e indigna contra sua pessoa".

López aproveitou a ocasião para manifestar que o perdão das vítimas outorgado às Farc "é sincero e generoso" e consegue "libertar do dor e da indignação".

"Perdoamos, mas sem esquecer o que aconteceu. As infâmias é preciso recordá-las e difundi-las para que fiquem gravadas na memória coletiva e nunca mais se repitam com outras vítimas", finalizou López.

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