May ameaça demitir funcionários que revelem informações do governo à imprensa

Londres, 4 dez (EFE).- A primeira-ministra britânica, a conservadora Theresa May, ameaçou demitir os ministros e funcionários que revelem à imprensa informações do governo, especialmente sobre o "Brexit" (saída do Reino Unido da UE), em carta publicada neste domingo no jornal "The Mail On Sunday".

A carta com as instruções de May foi enviada em 28 de novembro pelo chefe dos funcionários e secretário do gabinete, Jeremy Heywood, e, apesar das advertências, foi vazada imediatamente a este jornal.

Heywood afirma na carta, liderada "Oficial - Sensível", que "quem for descoberto revelando informação sensível será demitido, inclusive se essa informação não compromete a segurança nacional".

O máximo funcionário do país se refere a "a avalanche de filtragens e declarações não autorizadas" que apareceram nos veículos de imprensa, principalmente sobre o "Brexit", mas também sobre as eleições nos Estados Unidos e a proposta de orçamento do governo, apresentada em novembro.

"As filtragens são corrosivas e solapam a confiança e a boa governança. As filtragens nunca são aceitáveis, mas a regularidade e o impacto acumulado dos recentes incidentes significam que agora devemos tomar excepcionais medidas coletivas", afirma.

Heywood explica que a primeira-ministra "ordenou que reforcemos com urgência os processos de segurança e melhoremos nossa resposta às filtragens" e "espera ver resultados em breve".

Os secretários de Estado, secretários permanentes e altos funcionários "devem marcar o tom em uma organização" e deixar claro que se trabalha em um ambiente onde "as filtragens não são toleradas".

Os funcionários do governo devem se comunicar através de "tecnologia oficial", como os telefones celulares atribuídos, e, em caso de atividade suspeita, as equipes de segurança devem receber o mais rápido possível os registros de chamadas e de e-mails, se afirma na carta.

Desde o voto favorável a deixar a União Europeia (UE) no referendo de 23 de junho, a imprensa foi carregada de notícias sobre supostas divisões entre ministros partidários e contrários ao "Brexit" e conjeturas sobre a estratégia negociadora do governo, que May se negou a revelar.

O toque de atenção da primeira-ministra, que sucedeu no cargo David Cameron em julho sem passar pelas urnas, parece não ter tido ainda efeito, pois os principais jornais publicam hoje informações baseadas em filtragens de fontes governamentais.

Assim, o "The Sunday Times" explica que May pediu a funcionários de confiança que desenhem planos para um "Brexit cinza".

O "The Sunday Telegraph" assegura que existe uma "campanha de difamação" contra o ministro das Relações Exteriores e porta-bandeira do "Brexit" na campanha, Boris Johnson, ao qual foram atribuídas opiniões contraditórias sobre a liberdade de movimento de imigrantes comunitários.

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