Raúl Castro rememora façanhas de Fidel em suas últimas palavras de despedida

Sara Gómez Armas.

Santiago de Cuba, 3 dez (EFE).- No último discurso de despedida a seu irmão, o presidente de Cuba, Raúl Castro, fez neste sábado uma exaltação das grandes façanhas da Revolução liderada por Fidel, cujo nome não será usado para denominar lugares públicos nem se erguerão monumentos em sua memória, segundo seu desejo póstumo.

"O líder da Revolução rejeitava qualquer tipo de manifestação de culto à personalidade e foi consequente com essa atitude até suas últimas horas de vida", afirmou Raúl Castro em seu discurso no ato de tributo a Fidel na Praça da Revolução "Antonio Maceo" de Santiago de Cuba.

Vestido com uniforme militar e com a voz falhando em alguns momentos, Raúl Castro lembrou as grandes façanhas da Revolução sob o comando de Fidel, ao qual nunca se referiu como seu irmão, mas como o "líder da Revolução" ou "comandante".

Disse que Fidel era "o mais ilustre filho de Cuba neste século", "aquele que nos demonstrou que sim se podia tentar a conquista do Moncada, que sim se podia transformar aquele revés em vitória", lembrando os fatos do dia 26 de julho de 1953, quando o fracassado ataque a esse quartel militar de Santiago pelos rebeldes se transformou no germe da Revolução.

"Fidel Castro também demonstrou que se podia chegar a Cuba no iate Granma, resistir ao inimigo, à fome, a chuva e ao frio", ou que "se podia derrotar em 72 horas a invasão mercenária de Praia Girón e prosseguir a campanha para erradicar o analfabetismo" e "proclamar o caráter socialista da Revolução a 90 milhas do império", relembrou Raúl.

Ele também lembrou os anos difíceis do Período Especial, quando a economia cubana colapsou arrastada pela queda do bloco socialista nos anos 90.

"Então, poucos no mundo apostavam em nossa capacidade de resistir, mas nosso povo sob a condução de Fidel deu uma lição inesquecível de firmeza e lealdade aos princípios da Revolução", asseverou.

"Ele demonstrou que sim se pôde, sim se pode e sim se poderá superar qualquer obstáculo, ameaça ou turbulência em nosso firme empenho de construir o socialismo em Cuba", disse Raúl, enquanto a multidão cantava "sim se pode, sim se pode".

Com um emocionado "Até a vitória sempre", Raúl encerrou o ato de despedida, a mesma frase revolucionária com a qual fecharam os discursos anteriores representantes de organizações governistas como a Central Nacional de Trabalhadores (CNT), a Federação de Mulheres Cubanas (FMC), a Federação de Estudantes Universitários (FEU) e a União de Jovens Comunistas (UJC).

"Esta Revolução a defenderemos sempre, não deixaremos cair jamais a espada nem a bandeira. Não falharemos com os estudantes. Ratificamos o compromisso de avançar rumo ao porvir com seus princípios e ideais", afirmou a dirigente da FEU, Jennifer Belo, que integra o birô político do Partido Comunista.

Em todos os discursos a mensagem foi similar: o compromisso de todos os setores da população de continuar o legado da Revolução e seus valores socialistas.

"As novas gerações de cubanos jamais deixarão de ser fiéis a seu legado e à confiança que depositou na juventude", asseverou a secretária-geral da UJC, Susely Morfa.

Embora não tenham feito uso da palavra, entre os convidados ao ato em Santiago figuram personalidades que foram amigos pessoais de Fidel como os presidentes da Venezuela, Nicolás Maduro, e da Bolívia, Evo Morales; os ex-presidentes do Brasil, Lula e Dilma Rousseff, e o jogador argentino Diego Maradona.

Durante o ato, as cinzas do ex-mandatário cubano repousaram no mausoléu dedicado ao herói independentista Antonio Maceo, situado nessa praça, que reuniu milhares de pessoas para dar o último adeus ao comandante em Santiago de Cuba, lar espiritual de Fidel e berço da Revolução.

Após um percurso de mais de mil quilômetros por toda a ilha, as cinzas do líder cubano serão enterradas neste domingo em cerimônia íntima e privada, sem acesso de imprensa nem público, no cemitério de Santa Ifigênia.

Lá, o comandante descansará para sempre perto dos restos mortais do herói nacional e líder independentista José Martí, a quem Fidel considerava "inspirador intelectual" da Revolução.

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