Tabaré Vázquez diz que suspensão da Venezuela do Mercosul é reversível

Viena, 4 dez (EFE).- O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, se mostrou neste domingo disposto a se reunir com seu colega venezuelano, Nicolás Maduro, para debater a suspensão temporária da Venezuela do Mercosul, uma medida que - disse - não é "irreversível" e pode ser mudada se forem aplicados fundamentos jurídicos e diálogo.

No último dia 2, os quatro países fundadores do Mercosul (Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai) comunicaram à Venezuela que o país deixa de exercer seus "direitos inerentes" como Estado parte do bloco regional, após ter descumprido as obrigações assumidas no Protocolo de Adesão.

"Em política e nas relações entre os países, nada é irreversível, tudo pode mudar. Mas tem que haver fundamentos jurídicos, fundamentos legais, fundamentos sólidos, para ver o caminho que vamos seguir rumo ao futuro", afirmou Vázquez em declarações à Agência Efe em Viena.

Sobre o pedido de Nicolás Maduro de uma reunião, o líder uruguaio se mostrou hoje disposto a ter esse encontro assim que tenha retornado de sua atual viagem pela Europa.

"Se o presidente Maduro quer se reunir comigo, não será a primeira oportunidade. Temos uma boa relação pessoal e nos reuniremos para discutir e ver no marco do jurídico qual é a situação atual do Mercosul e dos países que o integram", disse Vázquez.

O presidente do Uruguai lembrou que nesta semana e na próxima estará na Europa e que não pode concretizar ainda quando pode ser realizada essa reunião.

Por outro lado, destacou que na opinião do executivo uruguaio, na Venezuela funciona a divisão de poderes, independentemente se esteja de acordo de "como estão funcionando".

"Mas há um poder legislativo, há um Poder Judiciário e há um poder executivo funcionando. Enquanto estas condições se deem, nós achamos que não existem elementos para aplicar a cláusula (democrática)", afirmou.

Em meados de setembro, Argentina, Brasil e Paraguai, com a abstenção do Uruguai que permitiu o consenso, decidiram que, se para 1º de dezembro Venezuela não cumprisse com suas obrigações como membro do Mercosul, seria suspensa por tempo indeterminado.

Nesse sentido, Vázquez rejeitou as palavras de Maduro de que os outros membros do Mercosul tinham convencido o Uruguai com mentiras sobre a decisão de suspender a Venezuela.

"O Uruguai é muito consciente do que que faz e seu governo sempre é muito bem pensado, muito elaborado e muito fundamentado, reitero, sobretudo em elementos jurídicos e legais, afirmou o líder uruguaio.

Além disso, insistiu que o governo e o presidente do Uruguai "sempre em todos os temas aposta pelo diálogo, a troca respeitosa de ideias, com fundamentos".

Vázquez inaugurou hoje em Viena uma exposição de fotografia de cinco artistas uruguaios e se reuniu com centenas de membros da colônia uruguaia residente na capital austríaca.

O presidente, oncologista de formação, se reuniu ontem, após sua chegada a Viena, com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e hoje inaugura um congresso internacional sobre câncer de pulmão, do qual é o convidado de honra.

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