Uzbequistão vai às urnas para eleger novo presidente após morte de Karimov

Moscou, 4 dez (EFE).- Cidadãos do Uzbequistão foram às urnas neste domingo para escolher o novo presidente do país, em uma eleição que deve ser vencida sem surpresas pelo primeiro-ministro do país, Shavkat Mirziyoyev, que exerce o cargo de forma interina.

Os resultados preliminares do pleito serão divulgados amanhã, informou a Comissão Eleitoral Central (CEC) do Uzbequistão em nota. Não houve pesquisa de boca de urna, apenas o de comparecimento, que mostrou uma grande participação dos eleitores.

A presidente da CEC, Mirza-Ulugbek Abdusalomov, disse que 87,8% dos 21,4 milhões de eleitores foram até as seções eleitorais para exercer o direito a voto.

"A votação ainda continua nas seções habilitadas nas missões diplomáticas uzbeques em alguns países da Europa e dos Estados Unidos. Não recebemos informações de irregularidades", disse Absulamov sobre a tranquilidade do pleito.

As eleições de hoje foram convocadas com caráter extraordinário após a morte, em 2 de setembro do ano passado, do presidente Islam Karimov, que governou com mão de ferro durante 27 anos, desde que o Uzbequistão, antiga república soviética, declarou independência.

Mirziyoyev, de 59 anos, considerado o braço direito e sucessor natural de Karimov, há 13 anos exerce o cargo de primeiro-ministro.

O presidente interino, líder do Partido Liberal Democrático, foi votar em Tashkent junto com toda a família, incluindo os netos, e não quis dar declarações à imprensa.

Seus três rivais, o vice-presidente da câmara baixa do parlamento, Sarvar Otamuradov, o líder do partido social-democrata Adolat Narimom Umarov, e o candidato do Partido Popular Democrático, Jotamzhon Ketmonov, praticamente não tem chances de vitória.

De acordo com a lei eleitoral, se nenhum dos candidatos obtiver maioria absoluta, os dois mais votados disputam um segundo turno.

Cerca de 1.400 jornalistas se credenciaram para cobrir as eleições, apenas 60 deles estrangeiros que conseguiram ser aprovados em um embaraçoso processo. De acordo com a organização Repórteres Sem Fronteiras, o Uzbequistão é um dos países mais difíceis do mundo para se exercer o jornalismo.

Às vésperas da votação, a CEC informou que 37.500 observadores dos partidos políticos supervisionariam a transparência do processo. Também foram credenciadas missões da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), da Organização para a Cooperação Islâmica e a Comunidade dos Estados Independentes.

O Uzbequistão, com quase 32 milhões de habitantes, é o terceiro país mais populoso entre as ex-repúblicas soviéticas. E é vizinho ao Afeganistão, por isso é considerado como essencial para conter a penetração do jihadismo nos territórios antes ocupados pela União Soviética.

O regime de Karimov se caracterizou por combater com vigor o extremismo islâmico. Nada indica que seu sucessor vá mudar a prática.

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