Enfrentamentos no RCA deixam pelo menos 14 civis mortos

Nairóbi, 5 dez (EFE).- Pelo menos 14 civis morreram e 76 ficaram feridos em novos enfrentamentos entre duas facções rivais do ex-grupo rebelde muçulmano Séléka na cidade de Bria, no centro da República Centro-Africana, informou nesta segunda-feira a organização Human Rights Watch (HRW).

Os confrontos, que explodiram no final do mês passado, entre os dois grupos armados, a Frente Popular para a Renovação na República Centro-Africana (FPRC) e a União pela Paz na República Centro-Africana (UPC), deixaram, além disso, 115 combatentes mortos.

A considerada pela HRW como maior onda de violência entre os grupos Séléka desde sua fratura em 2014, começou quando combatentes do FPRC atacaram um empresário local de étnica peuhl (a majoritária na UPC) o que derivou em um violento enfrentamento entre ambos grupos.

A violência se estendeu à periferia de Bria onde civis peuhl e cidadãos que não são desta etnia se enfrentaram com canhões, facões e facas.

Os combates produziram o deslocamento de 10 mil pessoas em Bria e pelo menos 7 mil deles foram transferidos a um acampamento improvisado nos arredores da base da ONU nesta cidade, informou a organização.

"As forças de paz da ONU devem se antecipar a estes incidentes e utilizar a força para proteger estas pessoas vulneráveis, como permite seu mandato", disse o investigador da HRW na África, Lewis Mudge, em comunicado.

A tensão entre as duas facções disparou no começo de novembro porque ambos grupos pretendem controlar as estradas que conduzem às minas de diamantes perto de Kalaga, a 45 quilômetros de Bria, onde arrecadam "impostos de estrada".

As Nações Unidas têm desdobrados no país cerca de 13 mil agentes, incluídos mais de 10 mil militares e mais de 2 mil policiais, a fim de ajudar a estabilizar a situação após anos de conflito armado e recentemente aprovou prolongar a missão até novembro de 2017.

Nestes últimos enfrentamentos, as Nações Unidas tinham 246 militares armados em Bria, que não puderam proteger os civis devido à brutalidade dos combates, informou HRW.

O país vive um complicado processo de transição desde que em 2013 os ex-rebeldes Séléka derrubaram o presidente François Bozizé, suscitando uma onda de violência sectária entre muçulmanos e cristãos que deixou milhares de mortos e obrigou a cerca de um milhão de pessoas a deixar seus lares.

A eleição de Faustin Archange Touadéra como novo presidente em fevereiro deste ano deveria abrir uma nova etapa para a República Centro-Africana, mas no entanto ainda tem muitos problemas para controlar os grupos rebeldes em zonas afastadas da capital.

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