Primeiro-ministro da Nova Zelândia anuncia renúncia por razões familiares

Sydney (Austrália), 5 dez (EFE).- O primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia por motivos familiares, após citar o "sacrifício" de sua mulher e a intrusão na vida de seus filhos devido a seu desempenho no cargo.

"Pela minha esposa Bronagh, que passou muitas noites e fins-de-semana sozinha, muitas ocasiões que para ela eram importantes e eu simplesmente não pude estar", indicou Key, de 55 anos, em comunicado publicado no site do governo neozelandês.

Key, que renuncia após oito anos como chefe do governo e dez como líder do conservador Partido Nacional, afirmou que seus filhos, Stephie e Max, se transformaram em adultos com "um extraordinário nível de intrusão e pressão" devido a seu cargo como primeiro-ministro.

"É a decisão mais difícil que tomei em minha vida e não sei o que acontecerá depois", disse o líder, que também deixa a liderança do Partido Nacional e compareceu em entrevista coletiva em Wellington para anunciar sua renúncia.

Key disse que sua esposa, com quem se casou em 1984, "fez um grande sacrifício durante sua vida política e agora é o momento para dar um passo atrás em minha carreira e passar mais tempo em casa", indicou.

No entanto, o líder afirmou que Bronagh lhe teria apoiado se ele decidisse concorrer aos pleitos previstos no ano que vem.

O primeiro-ministro afirmou que fará efetiva sua renúncia em 12 de dezembro, quando seu partido se reunir para escolher um novo líder, e precisou que ele apoia para o posto o vice-primeiro-ministro e titular de Finanças, Bill English.

"Durante dez anos Bill e eu trabalhamos muito de perto como equipe. Fui testemunha de primeira mão de seu estilo de liderança, sua capacidade de trabalho, seu entendimento da economia, seu compromisso com a mudança, sua decência como marido, pai, companheiro e político", disse.

Key manifestou que manterá sua cadeira como parlamentar até as eleições do próximo ano para não forçar uma votação na jurisdição que ele representa, Helensville, no norte do país.

O chefe do Executivo não deixou claro o que fará profissionalmente após abandonar o cargo, mas alguns veículos de imprensa neozelandeses apontam que poderia começar a trabalhar para um multinacional australiana em Auckland, também no norte neozelandês.

O anúncio de Key surpreendeu em seu país e no exterior e começou a receber amostras de apoio de companheiros e de outros líderes mundiais.

"John Key foi um líder mundial extraordinário e inspirador, um grande amigo e um modelo a seguir. Sua renúncia é uma grande perda para a NZ e para o mundo", escreveu em seu conta no Twitter o primeiro-ministro australiano, Malcolm Turnbull.

O líder neozelandês ganhou suas primeiras eleições em 2008, pondo fim a oito anos de governo do Partido Trabalhista, e foi reeleito no pleito de 2011 e 2014.

Key foi elogiado por tirar a Nova Zelândia da crise financeira internacional e pela resposta ao terremoto que em 2011 deixou 185 mortos em Christchurch, na ilha Do Sul do país.

Durante seu mandato, a Nova Zelândia legalizou o casamento homossexual, uniu-se ao Acordo Transpacífico (TPP), agora em perigo pela posição dos Estados Unidos, e o magnata informático Kim Dotcom foi detido por suposta pirataria informática em Auckland.

Também retirou as tropas zelandesas do Afeganistão em 2013 e afrontou uma crise após ser revelado na imprensa um suposto programa de espionagem internacional junto com os governos dos Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália.

Antes de entrar na política, Key trabalhou em Merrill Lynch e, com seus US$ 42 milhões de patrimônio, é um dos homens mais ricos de seu país.

Possui propriedades em Auckland, Wellington, Londres e Havaí (Estados Unidos), onde passa habitualmente as férias.

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